Kerley Carvalhedo

Caos e Silêncio

No começo desta semana, fiz uma publicação em uma das minhas redes sociais. Não demorou muito para repercutir negativamente.

No começo desta semana, fiz uma publicação em uma das minhas redes sociais. Não demorou muito para que ela repercutisse, e não foi de maneira positiva. Desagradei os dois lados, “direita e esquerda”. Embora nunca tenha me posicionado em nenhum deles, acabei perdendo leitores de ambos, mesmo deixando claro que tenho o direito de não gostar de nenhum “guru”, seja de qual lado for. Contra minha vontade, sou, por vezes, pressionado a abordar a situação política do nosso país e do mundo. Ando tão mal-informado como sempre, e, de fato, sem entusiasmo para comentar, criticar ou elogiar o cenário atual.

Quando me perguntam de qual lado estou, eu respondo: estou do lado humano, do lado dos menos favorecidos, dos que, por mais de trezentos anos, foram escravizados, abandonados e esquecidos. Estou do lado do trabalhador que, sem descanso, se empenha, dia após dia, para levar o pão do seu suor para casa. Estou do lado do brasileiro que, cansado de pagar impostos exorbitantes, já não vê retorno algum disso. Estou do lado daqueles que entenderam que a verdadeira luta é pela humanidade. Não sou omisso, mas também não sou ingênuo. Sou um observador. Tenho minhas convicções, mas me reconcilio com a ideia de que a palavra — essa é a minha arma. A palavra, e somente ela, me permite tentar compreender o mundo.

A palavra tem razão de ser. Ela muda o homem, e o homem muda o mundo. É por isso que, enquanto o mundo gira e as batalhas se travam, continuarei a usar a única ferramenta que possuo. Prefiro escrever, em forma de crônica, sobre a pressa das formigas, sobre o anjo esculpido em pedra, sobre os barquinhos que deslizam suavemente sobre as ondas do mar — temas que, no fundo, nada têm a ver com as urgências e as inquietações que sacodem a ordem pública da nação. São temas simples, quase antiquados, mas que ainda falam de algo maior, mais permanente.

Penso, sim, naqueles que lutaram bravamente para defender interesses coletivos, que dedicaram toda a sua vida pública ao nacionalismo. Contudo, penso também naqueles que, como eu, já não têm mais forças para nadar contra a maré, que apenas observam, mas não deixam de aproveitar a vida em sua magnitude. Enquanto uns brigam, arruinam amizades de longa data por causa da política e deixam de se falar, outros matam e morrem pelos mesmos motivos. Eu, sigo em silêncio, observando o mundo por um ângulo solitário. Talvez triste, talvez indiferente. Mas sem incomodar ninguém e sem ser incomodado.