Ontem estive na casa de um amigo e fui recebido por um susto doméstico, desses que não fazem barulho.


Ontem estive na casa de um amigo e fui recebido por um susto doméstico, desses que não fazem barulho.

Sou avesso a gastos, desses que só acontecem quando a necessidade empurra. Comprar, para mim, é quase sempre virtual, impessoal, sem cheiro nem conversa.

Foi há 65 anos, no início dos anos 60. Ela tinha 15 anos. Ele, 17. Ela do interior, ele da cidade. Nada extraordinário nisso.

Naquele tempo havia pão, esperança e muitas luzes – estou falando do Natal de outros tempos. As casas recebiam suas primeiras árvores no início de outubro, como um prenúncio da chegada do Natal.

No começo desta semana, fiz uma publicação em uma das minhas redes sociais. Não demorou muito para repercutir negativamente.

Há quem acredite que desistir é fracasso. Bobagem das grandes. Se há algo que aprendi com a vida, e com repartições públicas, é que persistir às vezes é só teimosia mal disfarçada.

Outro dia notei que até as formigas andam com pressa. Caminham em fila, carregando farelos como se fossem pastas de escritório, cada uma cumprindo sua pequena jornada.

Cedo fui seduzido pelos livros. Era o tempo em que a internet existia para poucos. O saber ainda tinha cheiro de papel. Lembro do grande salão. Um abrigo que não encontrei em mais lugar nenhum.

Para ser exato: foi no domingo passado. Atravessei a Avenida Dom Henrique Froehlich, a famosa avenida da Saudade, por onde seguia minha caminhada de domingo.

Há muito tempo, em criança, eu sonhava ir ao parque de diversões, desses itinerantes que, uma vez por ano, apareciam no bairro onde eu morava.