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	<title>Arquivo de 2016 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2016 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>Recordações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Jun 2017 23:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dizem que a beleza está nos olhos. Mas havia alguns dias ela não estava tão bela nos olhos do meu vô. Deitado em uma maca, com aparelhos por todo o corpo quase sem oxigênio, entubado até suas narinas. Sua fala ainda cansada e embargada buscava nos deixar felizes dizendo que estava melhorando.</p>
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<p>Dizem que a beleza está nos olhos. Mas havia alguns dias ela não estava tão bela nos olhos do meu vô. Deitado em uma maca, com aparelhos por todo o corpo quase sem oxigênio, entubado até suas narinas. Sua fala ainda cansada e embargada buscava nos deixar felizes dizendo que estava melhorando. Mesmo no seu pior dia, olhava-nos com seu jeito alegre e dizia: “Estou só um pouco cansado”. Muitas vezes, foi até CTI, driblou e passou os piores momentos da sua vida, mas sempre voltava de lá bem. Ele melhorou, respirava agora por conta própria e dizia: “Estou ótimo!” Era visível a sua alegria quando melhorava, as lágrimas desciam dos seus olhos ao dizer: “Vou ficar bem!”. A força e a vontade de ficar bem era contagiante. Infelizmente não voltou de lá; essa foi a última vez que o vi em vida.</p>



<p>Hoje acordei nostálgico, recordando-me da nossa última conversa, ele disse-me próximo de sua partida: “Meu filho, você tem um talento lindo, cuide muito bem dele. Não pare de escrever!” As lágrimas não caíram na hora, senti um nó na garganta, minhas mãos suaram frio e tremeram. O silêncio tomou conta do quarto em que nós dois estávamos. Suas palavras ecoavam em som de despedida naquele momento. E foi assim que ele se foi, deixando um exemplo de vida a ser seguido. Ainda tínhamos muito a conversar, eu sei que tínhamos. Havia tantas perguntas a serem feitas, continuarão sem respostas. Muitos livros a ser indicados. Sei que sua função foi cumprida, afinal, estamos aqui apenas de passagem. Ele se foi, o vazio ficou. Seu maior legado foi ter tido uma vida de boa conduta e muito bem vivida. Ainda dói lembrar que todos esses anos não es- teve nos jantares e reuniões de família, não aparecerá de Papai Noel nos natais distribuindo presentes para todos, não viu meu sonho de publicar um livro tornar real. A vida se encarrega de apagar nossa última vela acesa. Dói. Porém, estou tentando aprender a conviver com ausência daqueles que se foram antes de mim.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#34627e" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Onde a vida acontece</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2016/08/12/onde-a-vida-acontece/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Aug 2016 23:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Semana passada, alguém me disse que adorava ler fora de casa, no banquinho da praça. Outro me contou que preferia ir ao shopping sozinho, bater pernas, ir ao cinema. E mais um que o boteco da esquina era melhor que qualquer sala de terapia.</p>
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<p>Semana passada, alguém me disse que adorava ler fora de casa, no banquinho da praça. Outro me contou que preferia ir ao shopping sozinho, bater pernas, ir ao cinema. E mais um que o boteco da esquina era melhor que qualquer sala de terapia. E, por falar em esquina, é exatamente numa esquina que sempre vou quando preciso respirar. Faz alguns anos que vou à mesma esquina, só para ver as pessoas transitarem de um lado para o outro, e, de vez em quando, vejo acontecimentos épicos, que ficam registrados na minha memória e nas câmeras de segurança da redondeza.</p>



<p>Na esquina, é onde busco histórias para contar, escrever e vivenciar. Outro dia, eu estava na esquina quando passou um rapaz e me gritou: “Olha ali o tio!” Ficamos eu e ele olhando para os lados, procurando o tal tio do marmanjo. O guri veio me cumprimentar e dizer que tinha sido meu ex-aluno de teatro.</p>



<p>O vai e vem do aglomerado é onde a vida acontece, às vezes nem sempre é tão aglomerado, mas eu estou lá, tendo uma conversa com meus botões. Na esquina, é o ponto de encontro de amigos, é onde nascem os mais alucinógenos pensamentos. É lá que acendo um cigarro quando bate a ansiedade (estou acendendo cada vez menos, juro).</p>



<p>Foi na esquina que encontrei o grande amor da minha vida e foi onde o perdi. Lá, fiz amizades que duram até hoje, e outras não resistiram ao tempo. Perdi as contas das vezes que me perguntaram o que faço na inanimada esquina. É difícil descrever em poucas palavras, nem eu mesmo sei bem. Sinto como se fosse um pedaço da casa, da minha vida. É talvez um santuário de ideias, um canteiro de inspirações. Nunca estive lá para ver as mesmas coisas, sempre acontece algo intrigante. Naquela esquina, há uma fonte de histórias inesgotável para contar.</p>



<p>Já vi casais discutindo, quase indo aos tapas. Vi uns se beijarem daqui, outros a bordoadas dali. Ouvi confidências de duas amigas, que de tão eufóricas mal notaram a minha presença. Na esquina, tem de tudo, até pedido de casamento. No ano passado, meu amigo pediu a namorada em casamento; no início ele disse que não passava de uma brincadeira, mas ela sem titubear foi mais malandra e disse: “Demorou”. Hoje estão casadinhos da Silva. Vai que essa moda pega!</p>



<p>O que um escritor de braços cruzados faz numa esquina com um cigarro entre os dedos em silêncio? É simples: observando a vida acontecer. Ouvi os mais sarcásticos escólios por estar ali. Fui rotulado de louco, fui confundido com garoto de programa, desequilibrado, solitário, estranho, guarda de rua e outros adjetivos que não ouso dizê-los. Não importam o que pensam: o que importa é o que penso. Enquanto eu estou aqui escrevendo, a vida comum da esquina continua acontecendo. Vou lá dar só mais uma espiadinha. Volto já.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#34627e" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Linchamento virtual</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2016/08/01/linchamento-virtual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Aug 2016 23:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está cada vez mais difícil desconstruir o velho e construir o novo. Tudo virou ofensas. Ninguém pode ter mais opinião formada. Quando se diz do partido A, logo é nazista; se declarar do partido B, logo é Marxista. Até as piadas sofreram severas censuras.</p>
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<p>Está cada vez mais difícil desconstruir o velho e construir o novo. Tudo virou ofensas. Ninguém pode ter mais opinião formada. Quando se diz do partido A, logo é nazista; se declarar do partido B, logo é Marxista. Até as piadas sofreram severas censuras. O politicamente correto deu lugar à chatice. Os padrões de conservadorismo extremo tornaram-se uma espécie de leis divinas. Mas o politicamente correto é mesmo correto? O pobre é tratado de maneira vergonhosa em nosso país. Vou citar apenas um exemplo que vi com meus próprios olhos: policiais que cobravam propina para casas de prostituição funcionarem normalmente, com garotas de programas menores de idade, e nada acontecia. O politicamente incorreto não aparece com a cara que deveria ter.</p>



<p>Outro dia, alguém disse que um político de Brasília, deveria ser aplaudido de pé, pois o mesmo se dizia ser um cara honesto. Onde já se viu isso? Ser honesto não é virtude: é dever. Infelizmente a corrupção no nosso país faz com que as pessoas vejam a honestidade como a grande virtude do momento. Ela não deve ser pregada assim, principalmente quando se trata dos cargos públicos. É preciso mudar esse cenário. Não é fácil, contudo é necessário para progredirmos.</p>



<p>Nunca tivemos tanta liberdade de expressão como se tem hoje, contudo junto a essa liberdade veio a agressão, e é de se impressionar. Quando alguém emite uma opinião na internet, logo aparecem aqueles de quem o escritor Umberto Eco mencionava: os imbecis. A internet foi a coisa mais democrática que já nos aconteceu, porém deu voz a uma legião de imbecis que opinam em tudo sem ter uma base mínima de conhecimento, sobre os importantes assuntos contemporâneo. Tudo vira tema, palco de discussão e discórdia. Se alguém publica em sua timeline afirmando que é um negro, em pouco tempo aparece meia dúzia o tachando de vítima, que é só mais um que tá querendo aparecer.</p>



<p>Não faz muito tempo que quase fui linchado quando falei do ladrão tatuado, do Pabllo Vittar, da música da Anita. Os comentários foram tão aterrorizantes que nem cogitava a possibilidade de sair de casa, com medo de cruzar com um desses agressores na rua. A internet não muda a nossa essência humana, também não nos torna mais insensíveis e bárbaros, mas permite que expressemos o ódio em maior escala.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#34627e" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Por que sumi?</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2016/07/19/por-que-sumi/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2016 23:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É bom de vez em quando dar aquela sumidinha básica para variar. Esses dias, eu estava lendo uma crônica da escritora Martha Medeiros, na qual ela falava sobre o direito ao sumiço. Lembrei que me perguntaram dias atrás por que eu andava tão sumido. </p>
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<p>É bom de vez em quando dar aquela sumidinha básica para variar. Esses dias, eu estava lendo uma crônica da escritora Martha Medeiros, na qual ela falava sobre o direito ao sumiço. Lembrei que me perguntaram dias atrás por que eu andava tão sumido. Não sei qual foi minha resposta, talvez eu tenha dado uma desculpa qualquer. Confesso que fiquei intrigado por não achar a justificativa certa para o meu sumiço.</p>



<p>De uma coisa eu sei, sempre divago nesse devaneio entre lucidez e psicodélico. Por que sumi? Algo implorou para que eu sumisse. Sabe, talvez não seja exatamente isso. Sumi porque eu precisava de um tempo, precisava colocar meus pensamentos em ordem. E isso não é coisa de um dia, leva fase. Sumi porque falo disparate quando não deveria, porque às vezes me importo demais. Notoriamente, por vezes, enceno quase como se fosse num monólogo. Mas não se preocupe, o meu sumiço, ao contrário do que se pensa, não é silêncio: é resposta. Já fui de tentar, insistir, quis estar perto, mas chega uma hora que a gente cansa. Não tem jeito, a conta chega ao limite. Cansa chamar atenção. Cansa nunca ser convidado para nada, nunca receber um alerta no celular perguntando: “Como você está?”. Que fique claro, eu não alimento nada que não seja recíproco, já disse isso em outros textos. A regra é simples: se a gente quer alguma coisa, a gente vai atrás. É lei da vida, é assim que as coisas funcionam. Sumir faz parte da liberdade, pois ao sumir você não tem a obrigação de justificar o desaparecimento. Quem sente sua falta, procura você.</p>



<p>Sumi porque foi melhor para mim, para outros também, porque eu precisava me entender na minha desordem. Sumi porque eu precisava resgatar alguma coisa que estava aqui dentro meio perdido, algo que não sei explicar. Talvez, partes de mim. Sumi porque senti a falta de mim mesmo. Hoje não busco muito, busco somente coisas que me tragam humor, convicção e um pouco de harmonia. Algumas vezes, a gente encontra; outras vezes, não.</p>



<p>Acham que o sumiço me faz triste ou solitário? Não. Pelo contrário, reservado. Essa seria a palavra adequada. No meu sumiço, consegui achar graça em mim, rir das minhas bobagens, ser minha própria companhia. As pessoas não gostam de desprezo, ninguém gosta, mas ser invisível, às vezes, é necessário. Sumi e sumo de novo.</p>



<p>Vai depender se&#8230;</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#34627e" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Anacrônico</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2016/07/05/anacronico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jul 2016 23:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parabéns aos inerrantes que estão em total perfeição. Parabéns aos infalíveis, aos insistentes, donos da verdade.</p>
<p>Parabéns aos que não se apegam a nada.</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com/2016/07/05/anacronico/">Anacrônico</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com">Kerley Carvalhedo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parabéns aos inerrantes que estão em total perfeição. Parabéns aos infalíveis, aos insistentes, donos da verdade.</p>



<p>Parabéns aos que não se apegam a nada.</p>



<p>Parabéns aos que não sentem tristezas, aos que vivem sem amor, aos inflexíveis.</p>



<p>Parabéns aos que conseguem viver sozinhos, não por falta opção.</p>



<p>Parabéns aos que não vivem sem o digital, aos internautas, aos imóveis que não se permitem mudar uma vez ou outra nesta vida.</p>



<p>Parabéns aos que conseguem carregar por tanto tempo uma mágoa, mas que não deveria.</p>



<p>&nbsp;Parabéns aos que conseguem ser grosseiros com as pessoas, aos que conseguem ignorar os sentimentos.</p>



<p>Parabéns aos que vivem de boicotes o tempo todo, aos que não vivem sem criticar tudo.</p>



<p>Parabéns à patrulha, porque eu ainda sou analógico, ainda gosto de andar de bicicleta, gosto de sair e andar sem direção. Porque ainda planto flores, ainda gosto de receber cartões, amo tomar banho na chuva.</p>



<p>Ainda sofro por amor, gosto de olhar no fundo dos olhos e de me apaixonar. Gosto de gente.</p>



<p>Ainda perco a razão em troca da emoção, sou enganado ainda muitas vezes, sou ingénuo e ainda tenho medo da solidão. Ainda desisto fácil de coisas muito complicadas demais, ainda erro, ainda choro, ainda me entristeço, ainda valorizo os sentimentos.</p>



<p>Ainda dou papo a quem não conheço, me arrisco em novas aventuras, ainda prefiro a segunda-feira invés ao domingo.</p>



<p>Ainda gosto de sentir a liberdade de braços abertos.</p>



<p>Ainda gosto de ouvir o barulho do mar, aprecio o silêncio da noite, gosto de sentir a brisa, o cheiro de café fresco no ar.</p>



<p>Ainda sou nostálgico, mas me reinvento o tempo todo. Ainda admiro Elis Regina, amo Caetano Veloso, sou fã de Cássia Eller, danço Djavan, respiro Ney Mato Grosso e choro Charlie Brown Jr. Sou completamente apaixonado por MPB.</p>



<p>Ainda gosto ver álbuns de fotos antigas, de cuidar e ser cuidado, ainda gosto de viajar. Amo a vida e ainda acredito no amor. Ainda sou humano.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#2c4a5c" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<item>
		<title>O bilhete deixado no sofá</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2016/06/26/o-bilhete-deixado-no-sofa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jun 2016 22:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2016]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No mês passado, recebi um telefonema de uma amiga me chamado para sair. No horário marcado, fui buscá-la em sua casa e adivinhe: ela ainda estava descabelada, enrolada a uma toalha, sequer tinha levantado do sofá.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No mês passado, recebi um telefonema de uma amiga me chamado para sair. No horário marcado, fui buscá-la em sua casa e adivinhe: ela ainda estava descabelada, enrolada a uma toalha, sequer tinha levantado do sofá. Pediu para eu entrar, sentar e esperar enquanto tomava um banho rapidinho. Foi o que ela disse: “rapidinho”.</p>



<p>Essa agilidade dela me custou horas. Sentei no sofá e fiquei aguardando ela testar minha tolerância. O tempo que fiquei esperando dava para assistir a todos os filmes e seriados que estivesse passando na tevê. Demorou tanto que pensei: “Deve ter morrido de um infarto fulminante dentro do banheiro e nem a ouvi pedir socorro”. Mulheres e seus processos de montagem: cabelo, roupa, sapato, maquiagem, perfume, joias. Ufa. E olhe que ela nem tinha saído do banho ainda. Quanto mais tempo ela passava no banheiro mais curta minha paciência ficava. Peguei lápis, papel e escrevi um bilhete com a seguinte frase: “Fui, amor”, deixei o bilhete no sofá e saí.</p>



<p>O tempo que ela gastou no banho foi o de jogar uma partida de xadrez na casa do meu outro amigo. Já estava cônscio que o nosso passeio não ia rolar mais, foi quando a histérica me liga desesperada, aos berros, perguntando onde eu estava. Ela tinha lido o meu bilhete, mas só ligou porque tinha desistido de sair. Motivo? O vestido que ela iria usar estava emprestado para a prima e não se lembrava desse detalhe. Pediu desculpas e desligou o telefone. Eu já estava longe mesmo, não fez nenhuma diferença.</p>



<p>Dias depois, encontro a surtada no parque fazendo caminhada, e, durante o trajeto que percorremos juntos, me contou que o bilhete que eu havia deixado no sofá foi lido por sua mãe assim que voltou de viagem. O bilhete ainda estava lá abandonado. Surtou. Acredite se quiser, mas aquele bilhete deu a maior confusão. Imagine a lerdeza da pessoa que nem se deu ao luxo de recolher o bilhete. Foi aí que o pior aconteceu: sua mãe lhe fez um longo interrogatório como se ela fosse condenada à morte caso não confessasse a verdade. Tudo isso por um mero bilhete esquecido. Coitada da pobre criatura. Sua mãe perguntou-lhe quem era o dito cujo que havia dormido com ela e deixado um bilhetinho escrito:</p>



<p>“Fui, amor” ao sair.</p>



<p>Queria saber detalhes: nome, idade, cor, altura. A tentativa frustrada de explicar a situação só piorava cada vez mais. Tudo se normalizou depois de eu ir até à casa dela e dar explicações do tal bilhete. Óbvio que a mãe dela não se convenceu muito, mas tudo ficou bem. Moral da história: Nunca deixe um bilhete dando bobeira por aí, nunca se sabe quem é o importuno que vai ler a mensagem.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#5b8fb0" class="has-inline-color"><em>Imagem/Pexels</em></mark></p>
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