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	<title>Arquivo de 2019 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2019 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>É preciso deixar os seus mortos partirem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Nov 2019 14:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tempos atrás, escrevi uma coluna que polemizou. Eu falava sobre o desapego. Dias após a publicação, recebi vários e-mails de pessoas comentando sobre o assunto. </p>
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<p>Tempos atrás, escrevi uma coluna que polemizou. Eu falava sobre o desapego. Dias após a publicação, recebi vários e-mails de pessoas comentando sobre o assunto. De repente, em meio a todas aquelas histórias, li um e-mail de uma mulher que iniciava seu relato: “Ainda tenho o vestido floral e o broche que ela usava no dia em que foi embora.” Continuou: “Desde que ela nos deixou, nunca mais fui a mesma, porém tento manter sua presença entre nós todos os dias.”</p>



<p>Havia dezessete anos que ela perdera sua mãe, contudo não conseguia desapegar-se do sentimento da perda. À medida que o tempo passava, mais ela se apegava e sofria com a tentativa de materializar sua mãe nas coisas.</p>



<p>Por mais que dê um aperto no peito, é preciso abandonar a perda e ficar com a saudade. Saudade é o que nos move, o que nos ajuda a seguir em frente. É preciso abandonar quem já foi e agora não é mais. É preciso abandonar amizades tóxicas, pensamentos medíocres. Pode ser a tal inveja branca também.</p>



<p>É preciso sair de casa um pouco e ir até o boteco da esquina para jogar conversa fora. É preciso, às vezes, fugir dos conselhos sensatos sempre que for necessário. É preciso abandonar o fardo pesado que levamos desnecessariamente ao longo da vida. É preciso sentir-se só a fim de valorizar pequenas companhias. É preciso ser menos ranzinza para ser feliz. É preciso abandonar o complexo de perfeição.</p>



<p>É preciso deixar os seus mortos partirem e descansarem em paz. É preciso aprender a viver. É preciso deixar muitas coisas e pessoas para trás. Às vezes, é preciso fingir quem a gente é para sermos realmente quem somos de verdade. Não preciso de muita coisa palpável para ser feliz — só preciso de muito amor e paz. É preciso repensar, iniciar e viver sem esse apego que nos estagna antes do tempo.</p>
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		<title>A melhor companhia</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/09/17/a-melhor-companhia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2019 00:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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<p>“Que seja eterno enquanto for recíproco.” Foi essa frase que li, dias atrás, a qual me deixou estupefato. Ao longo da nossa vida, trocamos de pessoas como trocamos de roupas. A gente se ilude, cria expectativas e quando vemos, já estamos reféns da nossa própria exigência, aquelas exigências que impomos a nós mesmos. Cada vez que cultivamos um amor, uma paixão, uma amizade é natural que acabe se não houver reciprocidade. Perdemos a sensatez quando gostamos cegamente de alguém. Sentimos uma impotência que chega correr a alma.</p>



<p>Provas? Sabe aquele amigo que só aparece quando precisa de você? Aquela amiga que não te visita, não manda mensagens, não liga, não se lembra do seu aniversário? Pois é, essas são só algumas das muitas referências. A cada sentimento de rejeição é preciso se perguntar se vale a pena continuar insistindo numa relação. Já não estou mais falando apenas de amizades, mas, sim, daqueles amores que estão ao nosso lado, mas ao mesmo tempo parece que não. Se algum conselho servir, anota esse: Você mesmo pode ser essa pessoa que tanto procura nos outros.</p>



<p>Todos nós temos mil maneiras de nos reinventar, de nos reconectar com nós mesmos. Não desperdice seu tempo com quem não merece ter você por perto. A vida ainda pode te surpreender. Você mesmo pode se surpreender. Faça um bom proveito de si mesmo. Esteja aberto para novas experiências, como cultivar o silêncio, ir ao cinema sozinho, andar por aí sem precisar de algum grude ao lado – não há reciprocidade maior que a sua própria companhia.</p>



<p>Experimente viajar, conheça novos lugares, faça cara e bocas em frente ao espelho, seja um adolescente que acaba de conhecer vasto mundo. Não se prenda às pessoas, aos rótulos, aos status ou àquilo que não te faz bem. Não espere ninguém para você mesmo se valorizar. Se ame. Desapegue-se, faça um bom negócio. E só então, depois dessas vivências, desse gatilho de coragem que a vida por si mesma encaminhará de colocar em nossas vidas pessoas que valem a pena de verdade.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#4c7f9f" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Não tem erro</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/05/17/nao-tem-erro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 May 2019 00:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faltavam algumas horas para eu embarcar num voo que ia de Curitiba a Belém do Pará. Deixei o hotel para aproveitar o tempo livre. Logo à frente do hotel, perguntei a um senhor onde ficava a livraria mais próxima. Ele respondeu: “É só seguir reto e vire à primeira esquina, depois à direita; não tem erro!”</p>
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<p>Faltavam algumas horas para eu embarcar num voo que ia de Curitiba a Belém do Pará. Deixei o hotel para aproveitar o tempo livre. Logo à frente do hotel, perguntei a um senhor onde ficava a livraria mais próxima. Ele respondeu: “É só seguir reto e vire à primeira esquina, depois à direita; não tem erro!”</p>



<p>Para quem já conhece o lugar não tinha mesmo, para mim foi como andar num labirinto por quarenta minutos. Certamente em minha lista de viagens não entrará mais o item “visitar uma livraria”. Comprei o livro que eu procurava e saí correndo; estava atrasado para pegar um taxi e ir direto ao aeroporto. Eu parecia um fugitivo correndo com o livro na mão, e, o que era para ter sido uma simples voltinha, tornou-se um desastre. Nada pior poderia me acontecer naquele momento: entrei no hotel errado e só percebi quando estava no hall. Perdi meu voo. Tive que aguardar e marcar o próximo.</p>



<p>Ninguém passa a vida contando com a sorte e muito menos com um sorriso no rosto nessas ocasiões. “Não tem erro” é uma expressão aparentemente tranquilizadora, nem sempre é. Talvez não houvesse o erro se prestássemos mais atenção aos pequenos detalhes que nos cercam. O erro não está escancarado por aí, ele fica escondido no lugar mais discreto.</p>



<p>O possível erro pode estar oculto na esquina, no conselho que parece sensato, pode estar num abraço maléfico, numa conversa mal intencionada, em qualquer parte. Só basta observar atentamente. Diante das sucessões da vida não percebemos os erros que praticamos. Essa transição pode parecer simples, contudo esconde grandes desafios. Por segundos, uma morte pode ser evitada. Uma palavra pode não ser dita. Uma paixão adiada. Como não cometer erros? Não existe a tal fórmula mágica. Até mesmo no amor podemos errar. Amar significa correr o risco de poder fazer as coisas mais loucas e bonitas darem errado. O jeito é seguir em frente e não ter preconceitos, pudores ou medos de ser reprovado. Ninguém está livre do erro, muito menos do julgamento.</p>



<p>Ser feliz é aceitar que o erro faz parte da natureza humana, sem abrir mão de viver a vida como ela é. Aprenda a lidar com a pressão, o medo e a insegurança. Um dia, a gente aprende a não dobrar a esquina errada. Siga o caminho, fuja dos atalhos; pequenos erros podem ser a causa de grandes catástrofes. Não aprendi como não errar, pelo menos agora não fico batendo pernas à toa antes de voltar para casa.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#4c7f9f" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>A arte de procrastinar</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/05/17/a-arte-de-procrastinar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 May 2019 00:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Procrastinar é deixar para depois, em outras palavras é arte da enrolação. Procrastinar é um vício perigoso. Entrego o texto para o jornal às 16h. Às 15h05 abro a caixa de e-mail, depois no Facebook comento a foto de um ano de casamento do meu amigo. Bem sabe quem é estudante, no último minuto do segundo tempo.</p>
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<p>Procrastinar é deixar para depois, em outras palavras é arte da enrolação. Procrastinar é um vício perigoso. Entrego o texto para o jornal às 16h. Às 15h05 abro a caixa de e-mail, depois no Facebook comento a foto de um ano de casamento do meu amigo. Bem sabe quem é estudante, no último minuto do segundo tempo.</p>



<p>Enquanto o Word em branco aguarda apenas a primeira frase, eu divago sem culpa pelo YouTube, buscando qualquer coisa que não tenha haver com o meu texto, como, por exemplo, o último desfile da semana de moda em Paris da Louis Vuitton com Johnny Deep; dueto de Tony Bennett e Amy Winehouseou: Body and Soul ou Maria Betânia cantando ao vivo Non Je ne Regrette Rien, de Edith Piaf.”</p>



<p>O meu amigo, Joel Pinheiro da Fonseca, colunista da Folha de S. Paulo procrastinou semanas para escrever um pequeno comentário para meu livro. Não duvido nada que Laurentino Gomes feito a mesma coisa durante a pesquisa de (1822). Sérgio Lazzarini deve ter embromado muito ao reler colunas para a Veja e Oscar Pilagallo, adiado uma dúzia de matéria não concluída na BBC de Londres. A procrastinação é filha do diabo, o ócio é a passagem direta para o fracasso.</p>



<p>Para fugir do Word em branco, tomo café, abro a gaveta, atendo ao telefone, mando uma mensagem de voz no grupo da família para parabenizar o hamister da minha prima, que está fazendo um ano e meio de vida. Olho o relógio, faltam cinquenta para entregar a matéria para o editor. Jogar bolinha de pingue- pongue é mais interessante que qualquer pilha de documentos protocolados em cima de sua mesa de trabalho na sexta-feira.</p>



<p>Há momentos que se confunde prioridade com procrastinarias, como buscar uma cerveja que está trincando no fundo do freezer, não necessariamente é procrastinar. Pechinchar pela 25 de Março, no período da tarde, não é procrastinar. Assim como aceitar o convite para transar numa manhã de segunda-feira no sofá, depois de levar as crianças à escola também não considero procrastinar, é ostentar. Agora, levantar do lugar para matar uma barata no canto do banheiro, porque sua mulher está aos berros, sem dúvidas é cúmulo da procrastinação.</p>



<p>Os brasileiros são procrastinadores. No Brasil, se procrastina sem dó e piedade, veja: o governo de quatro em quatro anos já virou expert quando se trata do assunto. Do Collor ao julgamento do ex-presidente Lula, pouco se fez, mas pelo menos saímos da inércia, rumo ao combate desse mal que contagia boa parte da sociedade.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#4c7f9f" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Sou gorda mesmo, e daí?</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/05/01/sou-gorda-mesmo-e-dai/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2019 16:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ela estava beirando os 50 anos de idade. Durante a vida inteira foi obesa. Seu maior sonho era um dia se parecer com aquelas modelos de passarela, que mais parecem uma boneca do vudu. Oprimida. Nada contra as modelos, mas, sim, contra o padrão ditado pelo mundo da moda.</p>
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<p>Ela estava beirando os 50 anos de idade. Durante a vida inteira foi obesa. Seu maior sonho era um dia se parecer com aquelas modelos de passarela, que mais parecem uma boneca do vudu. Oprimida. Nada contra as modelos, mas, sim, contra o padrão ditado pelo mundo da moda. Ela dizia: “Eu sempre fui gordinha, quando eu era criança, eu parecia uma foca. Ser gorda na infância é tudo de bom, todos te acham uma gracinha.” Contou mais: “Minha adolescência foi o oposto da minha primeira fase, as amigas do colégio eram todas magras e altas, eu baixinha e gorda. Quem era que queria andar durante o recreio com uma obesa? Ninguém, claro. Saí à procura de um novo grupo. Achei a turma dos desprezados do colégio. Faziam parte dele: gays, lésbicas, feios e até outras gordinhas como eu. Lá ninguém sofria bullying, pois se mexesse com a gente a encrenca estava armada”. Essa história não para por aí. Ela teve a ideia de fazer uma rigorosa dieta, achou que passando fome resolveria o problema. “Vou ficar magra e ser aceita em todos os grupos”, pensava. A dieta radical teve resultado, perdeu muitos quilos até um dia desmaiar no corredor do colégio. A coordenadora já sabia do que se tratava, sem alvoroço disse: “Levem-na à cozinha”.</p>



<p>Não precisou nem chamar ambulância, o problema da criatura foi resolvido com um prato cheio de comida. Depois de todo esse perrengue, ela disse para si mesma que nunca mais tentaria ficar magra como as amigas. Mentira. O mais engraçado aconteceu depois desse fato histórico. Achou que o casamento e os filhos trariam o tal sonho da garota magra. Infelizmente aconteceu o contrário, em vez de perder peso, ganhou uns a mais. Os filhos cresceram, a idade chegou e os netos também. Um dos seus filhos casados lhe fez uma visita, e consigo trouxe seu filhinho, no caso, neto. Era a primeira vez que ela via o netinho. Como toda vó, também era corujona; fez graça para o neto em seu colo, em retribuição ele falou: “A vovó é gorda!” “Chega! Até você? Sou gorda mesmo, e daí?” Foi ali que ela iniciou carreira como plus size. Na festa à fantasia do neto, sabe qual foi seu traje? A Barbie. Já viram a Barbie gorda? Sim, ela existe. E foi assim que ela descobriu a felicidade de viver todos os personagens que ela adorava. Ela descobriu que ser feliz está além de uma aparência física. Descobriu que para viver os melhores momentos da vida não precisa ser padronizada. Quem disse que a felicidade só pertence aos magros? Aceitar quem você é ainda é a mais autêntica forma de felicidade. É amor-próprio. Alguns se matam de malhar na academia, fazem exercícios físicos, praticam esportes todos os dias para manter um corpo sarado; outros, pela sua saúde, e estão no seu direito. O problema são as dietas malucas, ficar neurótico. Envelhecer com saúde é outra coisa. Corpo fitness é a moda do momento, mas quando será moda aceitar as pessoas como elas de fato são?</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#4e7f9e" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Negociando consigo mesmo</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/04/16/negociando-consigo-mesmo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Apr 2019 15:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em pior das hipóteses, nunca perca a excitação pela busca do conhecimento. Hoje não há como fugir, temos todos os assuntos à mão, eles surgem e brotam como ervas daninha. Seja no WhatsApp, nas nossas timelines, nos impressos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em pior das hipóteses, nunca perca a excitação pela busca do conhecimento. Hoje não há como fugir, temos todos os assuntos à mão, eles surgem e brotam como ervas daninha. Seja no WhatsApp, nas nossas timelines, nos impressos. Os caminhos são muitos, não é fácil escolher apenas um como fonte de informação e conhecimento, mas a falta de busca por eles é a principal porta para a ignorância. Quando falamos em ignorância, logo pensamos em um sujeito sem conhecimentos específicos. Porém, poucas vezes imaginamos que podemos ignorar o maior conhecimento, que é sobre nós mesmos: o autoconhecimento. </p>



<p>É ignorante todo aquele passa a vida desprezando o que há de melhor em si mesmo. Portanto, tem uma vida desinteressante quem não lê ou lê pouco, quem não investe em conhecimento próprio, quem não se nutre de arte, quem não busca se informar sobre o que acontece à sua volta, quem se mantém alienado com opiniões e ideologia arcaica. </p>



<p>Quem não conhece a si mesmo, sofre muito mais diante da própria fraqueza, não encontra saídas para seus conflitos pessoais, acrescenta pouco à sociedade e vive de uma maneira mais limitada. O autoconhecimento não impede que nutramos problemas, claro. Porém, nos ajuda a lidar melhor com eles de uma forma mais pacífica e harmoniosa.</p>



<p>Somos inteiramente responsáveis por nossos sentimentos ou ao menos pelas decisões que tomamos frente a eles, se decidimos ficar e esperar ou se permitimos ser alvo decisões ou indecisões alheias.</p>



<p>Busque seriedade e responsabilidade, mas não a ponto de ser uma pessoa extremante chata e insuportável. Não se culpe por aquilo que não poderia fazer sozinho. Seja leve e esteja curtindo a vida como nunca. Envelhecer faz parte desse pacote. Lembre-se que sempre há muitos ganhos com o passar dos anos: maturidade, essência e flexibilidade. Permitindo-se o melhor que existe. Sem culpas, sem dramas, sem frescuras. </p>



<p>Claro que haverá perdas, o espelho vai lembrar você disso todos os dias se possível, mostrando que não dá pra querer ser jovem para sempre. Jovial é outra coisa, isso sim é possível para sempre, através de menos cobrança de si mesmo diante dos acontecimentos inesperados. Estar perto do fim pode, sim, dar uma abalada, mas traz também a sensação de dever cumprido. É preciso extrair o melhor do que temos para hoje e partir em paz.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#3d6c8c" class="has-inline-color"><em>Imagem/Pexels</em></mark></p>
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		<item>
		<title>A vida sempre nos pega de jeito</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/04/05/a-vida-sempre-nos-pega-de-jeito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Apr 2019 02:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acabo de assistir ao filme O Melhor de Mim, adaptado da obra de Nicholas Sparks. Um filme fascinante pra quem gosta de pensar sobre a paixão, o amor e efemeridade da vida. O filme conta a história de um casal de jovens namorados que planejam suas vidas futura um com o outro, mas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Acabo de assistir ao filme O Melhor de Mim, adaptado da obra de Nicholas Sparks. Um filme fascinante pra quem gosta de pensar sobre a paixão, o amor e efemeridade da vida. O filme conta a história de um casal de jovens namorados que planejam suas vidas futura um com o outro, mas, por tragédia do acaso, tudo muda: ele vai para a prisão, ela se casa, tem filhos com outro e segue a vida bem-sucedida. Muitos anos se passam até ele ser solto, e mais uma vez o destino os juntam por um tempo, e, você já deve saber o final dessa história.</p>



<p>Fiquei pensando o quão a vida é efêmera e como não temos tanto domínio sobre os acontecimentos que ela nos traz.</p>



<p>Dia desses, eu estive vasculhando algumas gavetas do meu armário e encontrei uma antiga agenda com fotografias, bilhetes, cartas e até uma pedra que ganhei de uma hippie na praia de Copacabana. Em meio a todos aqueles achados, estava uma carta envelhecida, amarelada, mas com as letras bem legíveis da minha ex-namorada: “Não sei o que será da minha vida sem você, tenha certeza que nunca te esquecerei. Você foi o melhor e mais perigoso presente que ganhei.” Essas eram algumas das frases que estavam escritas e, de repente, me deparei com o passado, embora aquele rascunho não tivesse nome nem data. Lembro bem do dia em que me trouxeram a carta, suas letras feitas à mão eram inconfundíveis. Confesso que fiquei à toa quando encontrei aquele papel, logo um estalo dentro de mim me deu um toque: “Já foi! Está perdendo seu tempo!” Realmente eu estava. Talvez depois de todos esses anos ela não soubesse mais quem sou.</p>



<p>Pensei, será quê&#8230;? Não, acho que não foi aquela briga. Ou será que foi? Talvez tenha sido as palavras que falei naquele tom de voz. Será que a gente se amava mesmo? Já sei, acho que tudo acabou por conta daquela viagem que fiz sozinho. E agora como saber? Bom, agora não importa. O importante é que já passou, e a carta não significa nada mais. Aquele amontoado de palavras era insignificante como qualquer outra coisa esquecida no fundo de uma gaveta empoeirada. Não fazia sentido algum.</p>



<p>Ela? Soube que está casada, grávida do terceiro filho. Deve estar bem. Espero.</p>



<p>A vida é assim, fazemos planos, cuidamos, lutamos e, no final, tudo segue contrário do que projetamos. Nossa tarefa é tentar viver da forma mais intensa possível, porém sem suas ataduras e limites ferozes. Em entrevista ao poeta Ferreira Gullar, perguntaram- lhe qual era o sentido da vida? Sua resposta foi estupenda por ser simples</p>



<p>e encantadora: “O sentido da vida está no outro”. A vida só tem sentido se for vivida para o outro. Se não for esse o objetivo, já é sem sentido o viver.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#45718d" class="has-inline-color"><em>Imagem/Pexels</em></mark></p>
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		<title>As ilusões sobre o ano novo</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2019/01/03/as-ilusoes-sobre-o-ano-novo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jan 2019 00:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por muito tempo, fiz listinha de boas intenções para cumprir depois da noite de Réveillon. Fazer era fácil, cumprir era quase impossível. Por melhores que sejam as intenções, a procrastinação é sempre aliada, irmã gêmea do ócio.</p>
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<p>Por muito tempo, fiz listinha de boas intenções para cumprir depois da noite de Réveillon. Fazer era fácil; cumprir era quase impossível. Por melhores que fossem as intenções, a procrastinação é sempre aliada, irmã gêmea do ócio.</p>



<p>Espera-se que, a partir de janeiro, as coisas mudem. Que os projetos sejam executados, que os sonhos se realizem e que o resto do ano vire festa. “Espera-se.” Não é preciso aguardar o Ano-Novo para começar a se mexer. Acreditar que, por decreto do destino, haverá transformação sem ao menos se levantar do lugar é mais um caminho que leva às procrastinações. Só há novo quando o novo se faz. Não adianta repetir mantras nem se deixar dominar pelo medo do real sentido da vida.</p>



<p>Para fazer o novo, é preciso cumprir as promessas estagnadas, principalmente aquelas que sempre deixamos para depois. “Depois vou praticar exercícios físicos, parar de fumar, mudar de hábitos, sair desse relacionamento tóxico.” E por aí em diante. Ano novo se faz todos os dias. Não precisa de virada de ano para vir a ser novo o que desejamos. Comece seu novo agora mesmo.</p>



<p>O importante é essa habilidade de conquistar o novo sem sofrimento mútuo, sem desgaste emocional do ritmo inconstante da vida. A receita do novo é simples: se te sufoca, fuja. Se te estressa, viaje. Se te constrange, finja. Se quiser, corra atrás. Se não der mais certo, deixe ir. Se te prejudica, caia fora. Se não gostou, fale. Se está chato, vá embora. Se perdeu, conforme-se. Se te assusta, faça poesia. Se não derem passagem, volte. Se estiver te fazendo mal, peça demissão.</p>



<p>Se errou, corrija. Se magoou, supere. Se ama, cuide. Se gosta, proteja. Se não serve, deixe de lado. Se não ama, não iluda. Se quiser ir mais longe, compre uma mala maior. Se quiser mudança, comece agora, nem que seja trocando a meia furada. Faça seu Réveillon na hora em que quiser. Esse tal de Ano-Novo só será novo de verdade quando você o fizer.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#4c7f9f" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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