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	<title>Arquivo de 2020 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2020 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>Só a vida não basta</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/08/13/so-a-vida-nao-basta/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2020 18:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje, reorganizando minha estante de livros, me deparo com algumas pérolas da literatura: Divina Comédia – Dante, Madame Bovary – Flaubert, Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Márquez, Vermelho e o Negro – Stendhal, entre outros encontrados em uma feira do livro pelo País.</p>
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<p>Hoje, reorganizando minha estante de livros, me deparo com algumas pérolas da literatura: Divina Comédia – Dante, Madame Bovary – Flaubert, Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Márquez, Vermelho e o Negro – Stendhal, entre outros encontrados em uma feira do livro pelo País.</p>



<p>De lá pra cá, não vi nenhum movimento literário que reunisse tantas pessoas como naquela época. Lembro-me bem de muitos participantes, como editores, críticos, agentes literários, jorna- listas, professores e, claro, leitores assíduos como eu. Todos os anos era tradição: garimpar pelos estandes de livros. A cada achado uma vibração, era como se estivesse encontrado diamantes. Lembro-me, por exemplo, que conheci obras irrefutáveis de autores brasileiros como: João Ubaldo Ribeiro, Antônio Torres, Nélida Piñon, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Moacyr Scliar, Ivan Junqueira, Antonio Cicero, Bernardo Carvalho e outros mais novos. Hoje é pura nostalgia. É sombrio saber que a literatura (que nos faz pensar e criticar) não é levada a sério em vários lugares do Brasil. Já disse em entrevistas sobre isto: a literatura é capaz de nos mostrar muito, nas entrelinhas, nuances e vieses que possui. Sei que nos faltam apoio e incentivos, entretanto o que nos põe a pensar sobre nossa precariedade é que precisamos mais que nunca nos aproximar do conhecimento canônico. Contudo, somos cada vez mais periféricos no sentido de termos de literatura.</p>



<p>Certa vez, conversando com fotógrafo Daniel Mordzinski (fotógrafo conhecido no meio literário brasileiro), ele comentou que faltava mesmo um pontapé inicial. Esse primeiro passo já foi dado quando ganhamos notoriedade no mercado literário pelas páginas dos noticiários. Há quem ache a literatura e o incentivo ao conhecimento “investimento sem retorno”. Talvez a situação do País só comece a mudar quando começarmos a pensar no futuro, fazendo as escolhas certas no cenário político atual em que vivemos. Há os que preferem a remediação de uma sociedade desvalida.</p>



<p>Falta-nos isto: estrutura e visão progressiva. Precisamos de mais conferências, mesas-redondas, lançamentos de livros, sessões de poesia, teatro, cinema, encontros de escritores com estudantes, entregas de prêmios. Precisamos enriquecer o nosso património cultural vivo.</p>



<p>Eu, assim como muitos outros escritores, faço o papel de formiguinha, indo aos colégios, quando convidado, para levar a literatura e o incentivo à leitura às novas gerações, buscando a leitura como algo prazeroso e fundamental. Sempre que posso vou com muito prazer.</p>



<p>Quero ter a certeza de que o amanhã será melhor para todos nós. Não quero entrar e olhar para milhares de volumes de livros nas bibliotecas empoeiradas, mal frequentadas deste país. Quero mais do Brasil, quero um país de muitos brasileiros bem informar dos, que não negocie sua dignidade a troco de banana. Quero muitas feiras, salões e sebos de livros por aí.</p>



<p>É possível sim viver sem o amor aos livros, mas é ter a certeza de uma vida mais miserável e limitada. Já dizia o velho poeta Ferreira Gullar: “A arte existe porque a vida não basta”</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#396e8c" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Minha família é inocente</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/08/10/minha-familia-e-inocente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2020 20:12:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas amigas se encontram no shopping. Um convite para um café, e, ali mesmo na praça de alimentação, uma delas resolve colocar o papo em dia.<br />
— Oi, querida, como você está?</p>
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<p>Duas amigas se encontram no shopping. Um convite para um café, e, ali mesmo na praça de alimentação, uma delas resolve colocar o papo em dia.</p>



<p>— Oi, querida, como você está?</p>



<p>— Ah, eu estou ótima! Lá em casa todos estão bem, inclusive a Nina, minha gatinha; ontem teve cinco filhotinhos. Você não quer levar uns pra você? Adoro gatos, mas a casa está ficando cheia de pelos por todos os lados, Juliana é alérgica, você sabe, né? Fora isso, tudo está ótimo!</p>



<p>— Que pena, amiga, bem que eu queria, mas não posso. Já tenho animais demais para cuidar e não tenho tempo. E por falar em cuidar, como vai o Jorge?</p>



<p>— Ah, o Jorginho? O Jorginho está bem. Quer dizer, mais ou menos bem. Esses dias ele chegou em casa dizendo que tinha terminado o namoro com a filha da perua lá do prédio − eu fiquei tão feliz. Já basta a mãe dela que anda contando para o mundo todo que meu marido queria levá-la ao motel. Você acredita nisso?</p>



<p>— Que absurdo, amiga! Imagina seu marido se envolver com aquela mulherzinha horrorosa, cheia de celulite.</p>



<p>— Pois é, voltando ao assunto do Jorginho, como eu estava falando&#8230; Você soube que esses dias ele foi preso com aquele amigo dele, filho da Laura, lembra?</p>



<p>— Meu Deus! Lembro, sim, mas o que houve?</p>



<p>— Então, outro dia o coitado do Jorginho foi buscar o filho da Laura na boate, ligou dizendo que estava bêbado e não podia dirigir, mas, enfim, resumindo a história: colocaram dez quilos de maconha no carro do meu filho, rasgaram o estofado do banco e esconderam quarenta mil reais. Não deu outra: prenderam o meu Jorginho. Eu tive que pagar fiança para liberarem meu menino. Juro por Deus que ele não tem nada a ver com isso. O pobrezinho passa o dia inteiro dormindo, agora só sai à noite para ver os coleguinhas dele. Eu deixo, sabe? Agora ele já é maior de idade, mas fora isso está maravilhosa minha vida.</p>



<p>— Nossa, quanta crueldade dessa gente. Mas cá entre nós, aquela vez que ele atirou na polícia não foi culpa dele? Ou foi?</p>



<p>— Amiga, vamos mudar de assunto, pois com o Jorginho está tudo ótimo. O problema agora é com o Lúcio, que me deixou desapontada na semana passada. Cheguei em casa e lá estava ele com a perua do 105 na minha cama, mas negou tudo. Ando tão preocupada, mas, fora isso, está tudo bem.</p>



<p>— Essas vizinhas são indecentes. A gente não pode piscar o olho que elas se oferecem para o marido da gente, né, amiga? Mas e o Lúcio já removeu a tatuagem íntima que ele tinha?</p>



<p>— Como assim? Quem falou para você desta tatuagem? Não me diga que é o que estou pensando?</p>



<p>— Amiga, o papo está bom, mas agora tenho que ir mesmo. Sua vida está maravilhosamente bem. Fora esses detalhes está melhor que a minha. Beijos, queridinha!</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>A era do livro digital</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/07/15/a-era-do-livro-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2020 19:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Que a tecnologia nos facilitou muito a vida, isso é indiscutível! Mas quando o assunto é livro ainda sou um Neanderthal. O livro digital foi um avanço tecnológico que atraiu a garotada, que já não desgruda das telinhas.</p>
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<p>Que a tecnologia nos facilitou muito a vida, isso é indiscutível! Mas quando o assunto é livro ainda sou um Neanderthal. O livro digital foi um avanço tecnológico que atraiu a garotada, que já não desgruda das telinhas. Já imaginou ter uma biblioteca virtual onde você pode acessar qualquer enciclopédia ou qualquer best-seller que quiser? Melhor ainda: poder carregá-la para qualquer parte do mundo? Isso já é possível, graças à tecnologia digital.</p>



<p>A cena é engraçada: eu na frente da universidade do Rio de Janeiro conversando com um desconhecido sobre literatura, falávamos de alguns clássicos literários. Enquanto meu transporte não aparecia, puxei um dos clássicos da minha mochila e achei a mais pura ostentação. O rapaz também retirou o smartphone do bolso e disse: “Tenho centenas de clássicos bons, só que em versão digital”. Ele exibiu um vasto acervo de livros, tudo em uma telinha. Olhei em volta e percebi que somente eu estava com um livro físico em mãos. Todos estavam com os olhos vidrados na tela dos seus smartphones. Tive a sensação de ter sido transportado da era Gutenberg para a era digital. Sou fã dos avanços tecnológicos. Confesso que achei mais prático, porém ainda não me habituei a essas novas high techs.</p>



<p>Além de ler, adoro organizar minha estante de livros. Nunca fui de acumular qualquer outra coisa, contudo sou acumulador número um de livros e viagens. Minhas estantes estão abarrotadas de livros, quase não cabem mais. A cada viagem que faço sempre compro mais um exemplar e digo para mim mesmo: “Dessa vez, vou comprar só mais esse!” Mas nunca é. Depois de lido o livro, começa a procura de lugarzinho para o novo integrante.</p>



<p>Adoro organizar por autores, editoras, assuntos, gêneros, cores e tamanhos. Quem é um leitor compulsivo como eu, sabe do que estou falando. Tanto quem lê em formato digital, quanto quem ler em formato físico, desfruta de um só sentimento: o prazer na leitura. O meio que você usa para ler é apenas uma questão de gosto e acessibilidade. O importante mesmo é ler. Ler traz conhecimento, acrescenta na vida e nos tornamos menos medíocres, possuímos uma visão menos limitada da nossa existência. Ler é sinônimo de enriquecimento, crescimento e significados. É a forma que encontramos para fugir da angustiante realidade para qualquer parte do mundo. Basta folear algumas páginas para experimentar outras histórias.</p>



<p>Seja ficção, não ficção, romance, fantasia, poesia. Não importa o seu gosto literário ou quais ferramentas você usa para ler. Faça um bom proveito de cada frase, cada parágrafo, cada capítulo, cada livro. Aproveite-o bem para deixar sua vida um pouco mais interessante. Use as palavras sem limites.</p>



<p>Quanto a mim, ainda fico com os livros físicos.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#396e8c" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>De repente, amigos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2020 19:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era dia 20 de julho de algum ano, o qual não me recordo. Tal data comemora-se o Dia dos Amigos. Eu procurava, em uma livraria, um desses cartões que têm aquelas mensagens sobre amizades. Avistei o cartão que eu levaria, mas, do nada, surgiu uma mão mais rápida que a minha e pegou-o. </p>
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<p>Era dia 20 de julho de algum ano, o qual não me recordo. Tal data comemora-se o Dia dos Amigos. Eu procurava, em uma livraria, um desses cartões que têm aquelas mensagens sobre amizades. Avistei o cartão que eu levaria, mas, do nada, surgiu uma mão mais rápida que a minha e pegou-o. Olhei para ver quem era o assaltante de cartões. Era um rapaz com a cara de nerd. Pedi desculpas, ele também. Ele fez questão para que eu ficasse com o cartão, eu disse que não, afinal ele havia pegado primeiro. Procuramos inutilmente outro igual, infelizmente aquele era o último. Não levei o cartão, mas ganhei de presente um amigo. Ficamos ali no meio da livraria. Aos poucos, as conversas foram revelando que tínhamos muito em comum. Trocamos contatos. Na primeira semana, foram tantos assuntos que nunca mais terminaram. Atualmente ele mora fora do País; não obstante, ainda sim mantemos contatos. Quem já teve um grande amigo, sabe qual é o sentimento.</p>



<p>Certa vez, me perguntaram do que eu mais gostava. A resposta veio como flecha: de pessoas. Acredite se quiser, já fiz amizades até na montanha-russa. Dia desses, fui ver pessoalmente um amigo que conheci pela internet. A sensação era que eu ia me encontrar com um irmão que não via há anos. Depois das apresentações, saímos para um café. A tarde foi curtíssima para tanto papo. Algumas amizades foram por acaso, hoje são eternas. Nada melhor que sair por aí sem compromisso, encontrar um “desconhecido” e bater papo. Contudo, saiba que fazer novos amigos requer muito cuidado, ninguém está isento das decepções, das partidas, das perdas. A natureza é belíssima, o mundo é exorbitante. Porém, o nosso lado humano ainda continua interessantíssimo. Sempre que posso, me permito conhecer novas pessoas, nada é tão fascinante. Conhecer é uma coisa, permanecer amigos é outra completamente diferente. Lembro que num voo que fiz de Belém ao Rio de Janeiro, uma senhora sentou-se ao meu lado e disse que aquela era sua primeira viagem de avião. Mesmo assustada, contou parte de sua história, falou dos seus ex-maridos, dos filhos até dos netos. Tive a oportunidade de visitá-la no Rio. Conheci parte da família.</p>



<p>O que precisamos para fazer amigos? Aceitar as diferenças é um grande passo. Estar aberto ao mundo e suas mudanças. Fique atento. Seu melhor amigo pode ser aquela moça que você diz “oi” todo dia no ponto de ônibus, aquela senhora no supermercado escolhendo o molho de tomates. Pode ser aquele com quem você papeia na fila do banco. O zelador, o carteiro, o esquisito do colégio. Olha, o que acha de falar com aquele rapaz que está sozinho no banco da praça ou com a aquela moça sozinha de braços cruzado na esquina? Vale arriscar; o “não” você já tem. Desejo que sejam verdadeiros e leais.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Piruá</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/05/15/pirua/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2020 20:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Martha Medeiros já deve ter falado sobre o assunto, já digo do quê. Eu fui ao cinema com um amigo e, ainda na fila, com um balde de pipoca, não perdemos a oportunidade de ter um breve papo sobre pessoas inexpressivas; gente que não consegue mudar com nada, que não permite a flexibilidade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Martha Medeiros já deve ter falado sobre o assunto, já digo do quê. Eu fui ao cinema com um amigo e, ainda na fila, com um balde de pipoca, não perdemos a oportunidade de ter um breve papo sobre pessoas inexpressivas; gente que não consegue mudar com nada, que não permite a flexibilidade.</p>



<p>Nem tínhamos entrado na sala do cinema, e a nossa pipoca já estava menos da metade, quase acabando. Interrompemos nossa conversa lá dentro, pouco antes do filme começar. É claro que não dava para papear durante a sessão, coisa que muita gente mal-educada faz. Terminado o filme levamos nosso lixinho para descartar na saída, não sem antes saber, pelo meu amigo, que o resto da pipoca que não estourou chama-se piruá. Isso eu não sabia e aposto que muita gente também não saiba, mas é piruá mesmo. Fico impressionado ao fazer uma reflexão e perceber como tem muita gente piruá à nossa volta neste mundo. Gente que nem com o calor humano demostra emoção, que não chora, não sorrir. Conheço pessoas que até pra morrer são ociosas. Se um voo cair, é capaz de elas nem se darem conta de que estão prestes a desencarnar. Por mais incrível que pareça, infelizmente a Síndrome de Gabriela é muito mais comum do que a gente imagina: “Eu nasci assim, eu cresci assim&#8230;” E vou morrer assim. Já falei em outras crônicas sobre o prazer e a satisfação que é mudar. Pode ser difícil essa mudança, mas necessária. O que nos diferencia dos outros seres é ter a consciência de uma vida breve. Sabendo dessa finitude, não nos resta muita coisa a não ser viver. Prefira a agitação da vida à inércia. Gosto de gente decidida, que sabe o que quer, gente que não tem medo de assumir o risco de não ser feliz, que com vibrações celebra a vida e as coisas boas que ela tem a nos oferecer. Gente que sabe dizer um “não” quando não está satisfeita, mas que sabe elogiar quando é preciso. Gente que roda a baiana quando está sendo trapaceada quando está infeliz no emprego. Prefiro conviver com aqueles que vivem sem o medo de ser ridículo. Gente feliz de verdade é autêntica, tem vida interessante, mesmo que no anonimato. A vida tem suas nuances, cada pessoa tem suas peculiaridades. O que não vale é ser piruá, que não serve pra nada; gente dura, rígida, que não evolui, não cresce, não vive. Conheço muita gente que aos sessenta estão vivendo sua melhor fase, experimentando outros prazeres que a juventude não os permitiu. Estão aventurando-se com responsabilidade em um novo amor, num novo esporte, contagiando-se de novas emoções, fazendo viagens que jamais fariam sozinhos por medo da solidão. No final, é isto que vale: ter tido uma vida, talvez não de sucesso acadêmicos ou troféus pendurados na parede como recompensa, mas ainda assim uma vida cheia de experiências bem vividas. Viver é poder olhar para trás e ter o orgulho de ter se permitido mergulhar no caos e ascender à glória daquilo que nos foi presenteado: o dom da vida.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<item>
		<title>O gato</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/04/22/o-gato/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2020 20:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era aniversário da minha namorada. Erámos um seleto grupo de amigos, até um convidado ilustre, ou melhor, um penetra aparecer na festa. Era um gato preto.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era aniversário da minha namorada. Erámos um seleto grupo de amigos, até um convidado ilustre, ou melhor, um penetra aparecer na festa. Era um gato preto.</p>



<p>Estávamos sentados em volta da piscina quando o felino do nada apareceu. A mulherada queria pegá-lo, mas o esperto não deixava ninguém tocá-lo, parecia desconfiado da gentileza. Não sabemos de quem era o gato, nem como ele chegou ali, mas, segundo nossas intuições e lógicas, chegamos a seguinte conclusão: “veio de algum vizinho e pulou o muro”.</p>



<p>O gato saltou em cima da mesa onde preparávamos nosso tira-gosto. Apesar do som alto e da baderna, ele não se importou em tirar um cochilo ali mesmo, no canto, próximo à churrasqueira. O penetra teve seus minutinhos de fama, sendo o centro das atenções, e a aniversariante não se incomodou em disputar isso com o bicho. Alguém da turma teve a ideia de batizá-lo com um nome.</p>



<p>— O que vocês acham de Saravá?</p>



<p>— Ah, não! Saravá, não!</p>



<p>— Eu acho que ele tem cara de Macumba. Vamos chamá-lo de Macumba!</p>



<p>Enquanto se discutia a proposta, o nosso ilustre hóspede parecia pouco se importar como seria chamado; na verdade, a única coisa com que ele se importava naquele momento era com comida.</p>



<p>Nossa preocupação era uma só: achar um nome para o gato que não fosse piegas. A vontade de rir era incontrolável quando ouvia alguém pronunciar um nome fora do comum. Que confusão dos diabos para dar o nome ao tal gato. Ficamos tão distraídos com a coisa de como se chamaria o bicho que não percebemos que ele já havia ido embora sem deixar rastros, sumiu como num passe de mágica. Não era tão cedo, mesmo assim decidimos procurar o bichano àquela hora da madrugada. Na sala, acendemos as luzes, onde havia um sofá enorme. E adivinhe, o folgado estava afundado tranquilamente dormindo sobre as almofadas quentinhas. Com um pouquinho de jeito, pegaram o Pérola Negra e o puseram na piscina, como todo gato, ele também não gostava de tomar banho, desesperado o coitadinho saiu ofegante, driblou todos e em segundos foi embora. A culpa e o remorso ficaram entre nós. A ressaca moral também. O dia amanheceu, e ninguém mais pensou nisso.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<item>
		<title>Martha Medeiros nas mãos certas</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2020/03/12/martha-medeiros-nas-maos-certas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2020 19:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu estava no centro de Belém do Pará despachando uns livros pelo correio quando me deu uma súbita vontade de sair dali e ir de encontro àquilo que me rouba o tempo: vasculhar os títulos na livraria. Sou daqueles que passam horas escolhendo livros, que vão parar nas minhas estantes já abarrotadas. Tenho compulsão por livros; compro livros que às vezes nem leio</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu estava no centro de Belém do Pará despachando uns livros pelo correio quando me deu uma súbita vontade de sair dali e ir de encontro àquilo que me rouba o tempo: vasculhar os títulos na livraria. Sou daqueles que passam horas escolhendo livros, que vão parar nas minhas estantes já abarrotadas. Tenho compulsão por livros; compro livros que às vezes nem leio.</p>



<p>Assim que saí da livraria, pretendia ir ao shopping fazer um lanchinho. Foi apenas uma pretensão mesmo, pois passei por um casal de moradores de rua e avistei nas mãos da mulher o livro Feliz por nada, da escritora Martha Medeiros. Reconheci o livro pela capa. Não pensei duas vezes para me aproximar do pobre casal e perguntar o que acharam do livro. A resposta foi imediata: “Ela escreve muito bem. É um livro sensacional”.</p>



<p>Não fazia parte dos meus planos ficar meia hora plantado na calçada batendo papo sobre literatura com os moradores de rua. Quem passava por perto, deveria achar que eu era um daqueles religiosos tentando convencer os moradores de rua a se redimirem de seus pecados, coisa que nem de longe sou.</p>



<p>Quis saber mais sobre o livro. Ela contou que se identificou com a crônica chamada “Eu não preciso de almofadas” pelo simples fato de não precisar de muita coisa para ser feliz. “Eu só preciso de um coração firme e forte!”, disse com toda generosidade do mundo. A moradora havia encontrado a felicidade nas calçadas da grande Belém, inclusive na literatura de Martha Medeiros. Sentia-se livre de modo que me senti livre também.</p>



<p>Fiquei estático com tanta doçura e beleza em um só ser humano. Minha fome passou despercebida. A história da jovem senhora me encantou. Voltei correndo à livraria para comprar um exemplar do novo livro da Martha Medeiros e, ao passar o livro às mãos da moradora de rua, pude notar o contentamento em seu rosto. Agradeceu-me presenteando com um colar feito por ela mesma de materiais reciclados. Agradeci pelo carinho e fui embora.</p>



<p>A vida tem suas formas de nos ensinar, e uma delas é mostrar que somos efêmeros diante da vastidão da alma humana. Cada vez que me lembro daquele dia, fico menos pretencioso em agregar aquisições fúteis, que mais tarde só me servirão de acúmulos. Eu não preciso de status, dois apartamentos, dois carros, duas suítes. Também não preciso de superficialidades que consomem meu tempo. Só preciso de mais amigos, mais viagens, mais livros, mais gentileza. Preciso cada vez menos − menos caos, menos mimimi, menos problemas, menos divã.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#486e85" class="has-inline-color">Imagem/Reprodução</mark></em></p>
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