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	<title>Arquivo de 2021 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2021 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>Tudo passa, mas primeiro é preciso viver</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 20:18:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Viver não dói. O que dói é a vida que se não vive. Talvez tenha sido um equívoco do poeta Emílio Moura escrever estes versos, pois, viver doí muito, perder pessoas amadas dói mais ainda.</p>
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<p>&#8220;Viver não dói. O que dói é a vida que se não vive&#8221;. Talvez tenha sido um equívoco do poeta Emílio Moura escrever estes versos, pois, viver doí muito, perder pessoas amadas dói mais ainda.</p>



<p>Um grande amigo, com quem há anos compartilho meus demônios me telefonara numa madrugada, em meio a uma de suas crises existenciais, dividira comigo parte da sua angústia, alguns medos, a cólera da vida –, que nada significativo acontecera nos últimos anos em seu cotidiano. Contou-me que naquele dia desejara profundamente a morte, planejara abreviar a vida.</p>



<p>Sua confissão deixou-me sem voz, fiquei desnorteado ao pensar que aquele momento eu poderia estar lendo qualquer frase triste deixada por ele. Sentei-me com o meu amigo à beira do seu abismo naquelas horas tarde da madrugada, junto ao telefone, segurei-lhe a mão, embora não literalmente, mostrei-lhe o vento frio das asas da temível, apontei-lhe os desatinos da condição humana; entretanto, enunciei que é possível o sofrimento em paz, até que a morte venha.</p>



<p>Eu era adolescente quando eu e um amigo de infância sentávamos à beira de um lago, no parque da cidade para atirar pedras e afastar os cisnes que lá viviam. Era um domingo à tarde, como de costume, fui esperá-lo junto ao lago. A noite caiu e ele não veio.</p>



<p>A notícia chegara como um arpão: meu amigo abreviara a vida com apenas um disparo contra si mesmo. Demorei a entender a dimensão do seu sofrimento, demorei ainda mais para voltar ao lago, quando voltei não havia nenhum daqueles cisnes, pareciam estar de luto também. Retornei outra vez sozinho – só havia um cisne, imponente, exuberante – mas não na lagoa, do outro lado, vi-o de longe. Sem dizer adeus, desapareceu.</p>



<p>A morte, rainha da noite, tudo que toca repousa profundamente. Tantos amigos abreviaram a vida, e, eu não fui capaz de impedi-los de tão grande tragédia, senti-me horrivelmente insignificante. Não inventaram palavras para descrever a dor que sentimos ao perder quem amamos. Chega uma hora que o coração se torna um santuário desse vazio imenso.</p>



<p>Existem poucas experiências únicas na vida: os amores, os amigos e a morte; eles não se repetem, embora sejam parecidos, todavia, jamais serão iguais. Um novo amigo pode até preencher um espaço físico, contudo, jamais, preenche o vazio deixado por aqueles que se foram. Um amigo é insubstituível.</p>



<p>Bem sei que um dia tudo irá findar-se, apaga-se o sol, desaparece o sistema solar e a humanidade se vai também. Tudo é temporário, sabemos. Sobre a vida e o amanhã nada sabemos ou sabemos tão pouco.</p>



<p>Apesar de todas as agruras, incertezas e adversidades humanas, a vida tem seus prazeres, seu lado bom que não impede de ser aproveitado, e, que são mais valiosos que qualquer desejo à morte. Se abrirmos a porta e mostrar o que tem dentro de nós, verá que não somos tão bons e nem tão ruins quanto pensamos.</p>



<p>Há aqueles dias que carregamos o medo da vida, e há dias que tememos que a vida acabe logo ali. Ninguém explica esse mistério. Viver é complexo, a finitude humana é brutalmente incompreensível, mas real.</p>



<p>O fim não cabe nas palavras – a morte de alguém que amo sempre me atinge, como me golpeasse com sua foice. Cada amigo que desce à sepultura fria, deixa um pedaço de si e leva consigo um pedaço de mim – a morte é uma ferida sem cura, mas com o tempo dói menos.</p>



<p>Apesar dos meus eventuais fracassos, das minhas incertezas, que existir é estranho, doloroso, e está além do nosso entendimento, acredito no sublime da vida. Encerro parafraseando Emílio Moura: “Viver não dói. O que dói é essa estranha lucidez”. Entretanto, é preciso acreditar mais na vida do que na morte.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#254a61" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Traição autorizada</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2021/10/27/traicao-autorizada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 23:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ele liga para esposa e diz:</p>
<p>— Oi, meu amor, vou sair um pouco mais tarde do escritório hoje. Não me espere para o jantar, ok?</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ele liga para esposa e diz:</p>



<p>— Oi, meu amor, vou sair um pouco mais tarde do escritório hoje. Não me espere para o jantar, ok?</p>



<p>Ela:</p>



<p>— Tudo bem, meu amor! Eu pego a Bia na escola. Se você chegar, e eu não estiver, é porque fui à casa da mamãe levar a Bia para vê-la. Talvez eu coma alguma coisa por lá também. Te amo!</p>



<p>Ele:</p>



<p>— Ok, eu também te amo!</p>



<p>Ambos desligam o celular e sem perder tempo, ele disca o número da amante que está agendado na lista telefônica por nome “Patrão”:</p>



<p>— Alô, Paty, daqui a quinze minutos chego aí.</p>



<p>A esposa deixa a Bia com a vó e vai ao encontro do Amante Felipe, que já está à sua espera.</p>



<p>O esposo chega ao apartamento de Paty, entra discretamente sem levantar suspeitas e a encontra vestida num espartilho preto, de lábios vermelho escarlate e uma taça de Chardonnay na mão. Como um lobo faminto, parte para cima desnudando tudo.</p>



<p>Bem distante dali, sua esposa e Felipe se esvaem em orgasmos entre os edredons da cama redonda do motel. Felipe a deixa em seus maiores delírios de prazer como as outras vezes.</p>



<p>Mais tarde, o marido chega em casa e cumprimenta a esposa com um beijinho:</p>



<p>— Trouxe isso pra você! – retira do bolso do paletó um anel de brilhante.</p>



<p>Ela finge surpresa:</p>



<p>— Nossaaaaa, meu amor, não precisava! Você é o melhor esposo do mundo!</p>



<p>Com ar de total satisfação, sorri para ele e assim vão dormir, fingindo que nada aconteceu, como se um não soubesse da traição do outro. Dia seguinte, a esposa passa ao lado de Paty e a cumprimenta com um beijinho no rosto: “Bom dia, querida!” As duas trabalham no departamento da mesma empresa.</p>



<p>O esposo, antes de chegar ao trabalho, passa no posto para abastecer o carro e dá um bom-dia para Felipe, que já foi seu velho amigo de infância, agora é frentista. E, tranquilamente, segue a vida amorosa do casal, sem cobranças, sem investigações, sem desconfianças.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Rendidos às vontades alheias</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2021/06/11/rendidos-as-vontades-alheias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2021 21:48:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Existe um só sucesso: ser capaz de viver a sua vida do seu próprio jeito”. Essa foi a frase escrita por Christopher Moríey, que tanto me inspira.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“Existe um só sucesso: ser capaz de viver a sua vida do seu próprio jeito”. Essa foi a frase escrita por Christopher Moríey, que tanto me inspira.</p>



<p>“Arte não dá dinheiro!”, “Escrever não é um trabalho!”, “Você tem que conseguir um emprego estável”, foi tudo que ouvi antes de seguir meu caminho como cronista. Quando eu ainda era adolescente, minha mãe queria que eu fosse advogado, depois queria que eu fosse enfermeiro, e, ao longo do ensino médio, ela foi me oferecendo outras opções que me identificassem e que me rendessem algum dinheiro futuramente. Mas quem me conhece, sabe que eu não sou de seguir o protocolo.</p>



<p>Próximo de terminar o colegial, meus colegas sabiam o curso que queriam fazer. Eu não. Alguns também estavam meio perdidos assim como eu, mas optaram por escolher algum curso que era modinha na época. Não cedi à pressão da patrulha, fazendo o que eles queriam que eu fizesse e não o que eu ambicionava.</p>



<p>O que eu queria eu não sabia, mas o que eu não queria, definitivamente, eu sabia. Mesmo com medo, segui adiante. Mesmo com anseios de tudo dar errado, eu ouvi a minha própria voz. Decidi superar todos os meus medos e as minhas vergonhas. Decidi lutar pelos meus sonhos e objetivos. Em troca disso, o universo conspirou ao meu favor. Decidi não viver engaiolado, não tendo sempre que seguir padrões, não me encaixando em normas predeterminadas, como se fôssemos todos iguais. Percorri meu próprio caminho, e, é claro, que durante esse trajeto tive muitos obstáculos e desafios, mas segui. Aprendi a importância de não trilhar a mesma rota de todos, e viver padrões estabelecidos pela grande maioria. Aprendi, com o tempo, que é importante se sobressair num mundo onde todos parecem iguais.</p>



<p>Sempre escrevi, desde criança. Escrever tornou-se uma necessidade, uma profissão, uma terapia. Pela minha saúde mental e pela minha felicidade, resolvi buscar o que faz o meu coração ferver. Sei que abandonar um curso é a maior estupidez para muita gente ou o sonho de muita gente, mas não era meu sonho. Jamais devemos ir por caminhos contrários ao nosso coração, pois, quando fazemos isso, deixamos de ser nós mesmos para sermos produtos das vontades alheias.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<item>
		<title>Aceitando o chamado</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2021/03/04/aceitando-o-chamado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 19:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde cedo aprendi quão difícil é falar de religião, porque ela sempre se apresenta como um problema. O assunto Deus e religião é muito incômodo e delicado; embora, religião e Deus sejam coisas distintas.</p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com/2021/03/04/aceitando-o-chamado/">&lt;strong&gt;Aceitando o chamado&lt;/strong&gt;</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com">Kerley Carvalhedo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Desde cedo aprendi quão difícil é falar de religião, porque ela sempre se apresenta como um problema. O assunto Deus e religião é muito incômodo e delicado; embora, religião e Deus sejam coisas distintas.</p>



<p>Quando menino, lembro-me da minha mãe me levando à igreja. Em casa, ensinava-me acerca do Cristo, o Supremo Autor do universo. Nada disso adiantou, nada me fez continuar em sua religião. À medida que eu crescia, mais distante do mundo cristão eu ficava. Talvez fosse impossível não me decepcionar com a religião, apesar de manter minha fé em Deus, o inevitável aconteceu: abandonei a fé.</p>



<p>Por muitos anos considerei-me agnóstico. Viver neste estado foi mais confortável do que crer ou não crer em algo ou alguma coisa. Em outras palavras: mantive-me em cima do muro. Essa, sem dúvida, é uma forma muito humanística de ver o mundo.</p>



<p>Muitos questionamentos, inúmeras perguntas perturbadoras, e a inquietante falta de respostas.</p>



<p>Parte da minha inspiração vem da perplexidade de existir, do assombro que é perceber-se existindo. A sensação é de esquisitice e estranheza. Não bastasse isso, ainda temos que dar uma resposta para esta vida.</p>



<p>As perguntas básicas que geram as filosofias, e que geram as religiões é o que gera também a arte: Quem eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou? Toda arte é uma tentativa de resposta a essas perguntas. As religiões e a filosofia tentam responder isso de maneira mais eloquente. Pensar nos faz refletir, e refletir nos traz sofrimentos, algumas vezes. Não existe pessoa que passe a vida sem sofrer. Considero o sofrimento importantíssimo, ele é condição de mais consciência. Todos nós temos motivos suficientes de sofrimento. Sofremos pela nossa condição humana, pela finitude da vida, pelas nossas precariedades; sofremos por envelhecer, por adoecermos, pelas chegadas e partidas. A vida humana é uma fonte de sofrimento, uma Via Crúcis, um vale de lágrimas. Embora muitas pessoas passam pela vida fugindo da dor, e fugir de dor é perda de tempo, ela estará presente na nossa existência a qualquer momento. Esse absurdo que é a dor e a sua finitude acompanha a humanidade desde sempre. O homem incessantemente procura respostas para suas questões existenciais, porém muitas delas continuarão misteriosas e incompreensíveis ao intelecto humano.</p>



<p>A vida terrena sem a finitude seria insuportável. O lado bom é que um dia tudo acaba para nós.</p>



<p>Todo crente passa pela dúvida. Pelo deserto da fé. Os grandes místicos passaram desertos inimagináveis, por crises religiosas, crises de fé. Grandes homens e personagens bíblicos também tiveram seus momentos de falta de fé. Até mesmo os mais dedicados cristãos já passaram por esta secura. Santa Terezinha dizia: “Estou padecendo dúvidas de fé, todavia, continuo fazendo as obras da fé.” Isso deixa claro que, mesmo com todos os percalços da dúvida, nela existia uma fé que a levava adiante.&nbsp;</p>



<p>Há muitos anos, numa madrugada, sentado na janela do meu quarto, observando o céu pontilhado de estrelas cintilantes, pensei num universo ausente de um Deus real. Um Deus fora da imaginação dos homens. Por um instante &#8211; não mais que isto: um instante apenas &#8211; comportei a sensação mais solitária dentro da minha alma naquela noite escuríssima. Não era uma solidão somente, era a solidão mais profunda que já pude sentir em toda minha vida. Mais que um exílio: um assombro.</p>



<p>Por muitos anos vivi assim, com esse sentimento de orfandade de um Ser maior. A partir do nosso nascimento começa uma construção particular para cada um de nós. A nossa moral, personalidade, comportamentos, valores e princípios são moldados conforme o meio em que estamos inseridos. O ser humano nasce incompleto, há lacunas que vão sendo preenchidas no seu devido tempo. A lacuna Deus estava vazia em minha vida. Nada a preenchia.</p>



<p>Eu comparo essas construções com as misteriosas catedrais góticas da Idade Média, feitas entre os séculos XII e XIV, que desafiam a modernidade pelas suas suntuosas belezas arquitetônicas. Havia nessas construções os arcos ogivais, que dividiam o peso da abóbada central sobre vários pontos de sustentação. Mas, para manter a construção em pé, precisava-se de uma pedra no meio do arco chamada Pedra Angular. Fiz o meu caminho, minhas escolhas, tomei minhas decisões, fiz minha construção, mas faltava-me esta pedra, que hoje chamo de Deus.&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Neste processo de retorno, de reflexão profunda; retorno ao cristianismo com a certeza dos meus eventuais fracassos, com minhas incertezas, mas, no fundo, acreditando no milagre de existir, que está além da capacidade lógica.</p>



<p>Regressei; no entanto, sem fanatismo religioso. Acredito no Cristo, no inominável, no sublime. Sofro com os mesmos desatinos da minha condição humana; entretanto, agora é possível sofrer em paz. Já dizia o apóstolo Paulo: “A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente”. Ninguém explica esse mistério. Chamo assim porque é mistério o transcendental.</p>



<p>Ainda que as filosofias, ciências, descrenças ou qualquer outro cânone me prove o contrário sobre a existência de um Deus, prefiro descansar no oásis e esperar o regresso para casa. Deus é um absurdo. Hoje O sinto nas águas tranquilas que escorrem nos pequenos riachos, na brisa que sopra, no fim de tarde, no poente do sol, na natureza e, às vezes, até no mar bravio.</p>



<p>Tudo é breve, tudo é passageiro. Nosso tempo é pouco e a vida termina logo ali. Como expressou-se Clarice Lispector próximo à sua morte, com sua caligrafia já trémula escreveu: “Eu sei que Deus existe”. “Quando acabardes este livro chorai por mim mais um aleluia (…) No entanto eu já estou no futuro”. “Eu quero simplesmente isto: o impossível. Ver Deus!&#8221; Este último era seu desejo. E também é o meu.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#295c7a" class="has-inline-color"><em>Foto: Internet</em></mark></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Separados há quarenta anos</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2021/02/19/separados-ha-quarenta-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Feb 2021 22:46:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Colocar um ponto final em determinadas situações é uma opção, outras vezes é a única opção. Quando e como saber que chegou ao fim? Falo isso porque recentemente fiz uma viagem ao Rio de Janeiro, onde passei algum tempo estudando roteiro de teatro.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Colocar um ponto final em determinadas situações é uma opção, outras vezes é a única opção. Quando e como saber que chegou ao fim? Falo isso porque recentemente fiz uma viagem ao Rio de Janeiro, onde passei algum tempo estudando roteiro de teatro. Lembro que um dia depois do curso dei carona a um amigo, só que antes ele sugeriu que parássemos na casa de sua avó Tina para um café. Já vi de quase tudo em um relacionamento, só não tinha visto um casal separados há quarenta anos em pé de guerra.</p>



<p>Dona Tina é uma senhora muito simpática e receptiva. Assim que chegamos à sua casa ela nos serviu um delicioso café e bolo de cenoura com cobertura de chocolate, só de lembrar dá água na boca; fomos tão bem recepcionados que perdemos o horário de retornar ao curso. Naquele dia, fiquei sabendo que pouco tempo antes da nossa visita à casa da vó do meu amigo, que ela e seu Gregório estavam completando quarenta anos de separados. Depois da separação, seu Gregório foi morar na casa ao lado, que compraram quando eles ainda moravam juntos. Desde então, nem um dos dois se casara novamente, porém não chegaram a um acordo para restabelecer aquilo que um dia foi chamado casamento perfeito ou quase perfeito. O motivo do rompimento não se sabe ao certo. Há boatos que os dois têm culpa no cartório, cada um tem sua própria versão. Os filhos e netos nem ousam cogitar qual dos dois está com a razão. O casamento acabou, mesmo assim os dois continuavam tomando café da manhã juntos, às vezes também resolviam compartilhar a mesa do jantar. Seu Gregório propôs morar outra vez com dona Tina já que ainda continuavam próximos:</p>



<p>— Tina, quero morar com você novamente, o que acha?</p>



<p>— Ah, eu moro! Mas você vai dormir no quartinho dos fundos, sem beijos e nada de sexo, tá?</p>



<p>— Se for assim eu não quero, prefiro morar sozinho mesmo. Os dois continuam levando a vida desse jeito até sabe-se lá quando. Amar não significa que ambos estarão juntos para toda a vida. Amar requer renúncia às vezes.</p>



<p>Um ponto final em uma história pode ser a escolha certa para seguir em frente. Aceitar que chegou ao fim é um ato de amor também. Tentar consertar aquilo que foi quebrado pode dar certo, outras vezes pode ser ainda pior. Saber colocar um ponto final é tão importante quanto prosseguir. Sei quanto é ridículo romper um relacionamento que custou anos para se solidificar. Porém, não chega a ser tão ridículo quanto ter que fingir que está tudo certo quando o que era certo já acabou. Ninguém merece ficar aprisionado por amor, por qualquer coisa, aliás. Saiba quando usar reticências, mas não se esqueça de colocar um ponto final quando não der mais. A dor é inevitável, contudo, necessária e superável. Seguir caminhos diferentes é a alternativa para dar continuidade ao que temos de mais precioso: a vida.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Sentimentos anônimos</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2021/01/27/sentimentos-anonimos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 01:41:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Grande parte das coisas humanas não se explicam. Alguns sentimentos podem ser experimentados, sentidos, mas não explicados. Nasci antes do advento da internet; porém, acompanhei sua ascensão durante minha adolescência. Foi nesse período que surgiram as primeiras interações virtuais com amigos de outros lugares.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Grande parte das coisas humanas não se explicam. Alguns sentimentos podem ser experimentados, sentidos, mas não explicados. Nasci antes do advento da internet; porém, acompanhei sua ascensão durante minha adolescência. Foi nesse período que surgiram as primeiras interações virtuais com amigos de outros lugares.</p>



<p>Logo apareceram as primeiras salas de bate-papos e em uma dessas salas conheci um jovem moço com quem me correspondia diariamente. Durante várias horas, eu interagia com aquele estranho. O tempo passou, e em pouco mais de um ano já sabíamos quase tudo um sobre o outro.</p>



<p>Quando mais jovem, eu era introvertido, tímido, introspectivo e caótico. Entretanto, sentia-me confortável com esse tipo de interação pela internet. A sensação era reconfortante, quase como dois amigos que se conheciam há muito tempo. Todos os dias, lá pelas altas horas da madrugada eu entrava no chat e conversava com o meu amigo, que nunca tinha visto e jamais veria na vida real.</p>



<p>A vida mudou, o tempo ficou parco, e as conversar foram ficando lacônicas. Não me lembro bem como aos poucos fomos deixando de interagir; talvez os compromissos da vida adulta tenham ofuscado o tempo sem que nos déssemos conta&#8230; Era algo que eu gostava muito de fazer, todavia abandonei esse hábito, de repente o mundo real ao meu redor me pareceu mais interessante.</p>



<p>Outro dia revisitei todos os canais de comunicação que usava, e alguns que ainda uso com mais frequência, para fazer atualizações de dados e informações. Encontrei as conversas arquivadas do meu “amigo virtual”, aquele com quem eu trocava mensagens todos os dias.</p>



<p>Em todos os séculos, na humanidade, houve grandes barbáries; então, não é de se pasmar que em tempos tecnológicos venha a acontecer o mesmo. Tudo na vida tem seu lado bom e, também, seu lado sombrio. Há perigos por toda parte, sempre.</p>



<p>Graças ao formidável uso da internet, tive a oportunidade de conhecer – na vida real – muitas pessoas maravilhosas, as quais, até estão, só conhecia pelo mundo virtual, por meio das redes sociais.</p>



<p>Agora, mais do que nunca, a internet tem sido a grande aliada em tempos de pandemia. Não há como negar que a tecnologia é o que temos de mais revolucionário, causadora de grande frenesi no último século.</p>



<p>Os encontros virtuais provocam sentimentos inusitados. Eu sabia muito sobre o meu amigo: a história de vida, o nome do gato, o gosto musical e até o seu passatempo favorito. Nasceu um sentimento fraterno: um sentimento de carinho, amor, devoção e ternura. Com a contagem dos anos aprimoramos nossos assuntos; falávamos sobre política, economia, literatura, família e sonhos. Na época eu estudava à noite, na volta do colégio eu ia correndo ao computador para ver se tinha algum recado deixado pelo meu amigo virtual.</p>



<p>Hoje, ao reler suas mensagens, senti saudades e desejei ardentemente ter mais uma daquelas longas conversas que tínhamos. Acostumei-me tanto a ele, que marcava no relógio a hora de entrar na sala de bate-papo. Não sei o que aconteceu, nem o porquê sumiu. Não há muito o que fazer. Esses são os encontros e desencontros da vida.</p>



<p>Prefiro deixar assim, como parte da minha experiência no mundo virtual, de alguém que um dia fez parte do meu cotidiano recluso, anônimo e secreto, alguém de quem sempre irei sentir falta. O último “oi” que escrevi faz dois anos, até agora nenhum sinal, ninguém apareceu, nenhuma resposta. Agora não resta mais nada além das conversas arquivadas e o grande silêncio</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#2c5976" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>À noite, o vazio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2021 01:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2021]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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<p>Era o início de uma habitual madrugada, e estava prestes a terminar um texto que entregaria na manhã seguinte para o jornal local. Há quem prefira trabalhar nas primeiras horas da manhã, bem cedo; eu, porém, longe dessa disposição matutina, prefiro a madrugada, não por outro motivo, mas pelo silêncio lúgubre que, confortavelmente, a madrugada me assegura.</p>



<p>Em casa, no meu escritório, gosto de trabalhar na companhia de alguma bebida quente, seja whisky ou café; contudo, pelo horário avançado, não havia nenhum dos dois. O texto estava inconcluso e, embora faltasse pouco, não queria terminá-lo sem o incentivo de alguma cafeína ou destilado. Desci até à garagem e saí em busca de qualquer conveniência aberta. As duas primeiras estavam fechadas, e ficavam nas proximidades do prédio em que eu morava, restava – então – apenas uma outra que era um pouco afastada – do outro lado da cidade. Eram quase três horas da madrugada. E, para reforço do meu desalento, também não consegui encontrá-la aberta.</p>



<p>Na volta pra casa, estacionei o carro no alto de uma larga avenida, saí, acendi um cigarro e encostei na lateral do veículo enquanto observava aquela rua completamente vazia, que durante o dia era quase intrafegável devido ao grande número de pessoas e carros. As luzes refletiam no chão em tom melancólico. A noite estava fria, o asfalto brilhava – acabara de chover. A cena parecida ter saído de um filme. Fiquei ali parado, observando este momento ligeiramente singular. O cigarro entre os dedos, que – por tamanha admiração – o esqueci por um instante, permitindo-lhe que se fumasse por si só.</p>



<p>Lembrei-me de um passeio no Chile em que, quando ainda moço, fiquei hospedado num hotel em Santigo. Lá, vi o episódio se repetir, distinguindo-se apenas em detalhes: avistei da janela do oitavo andar, por detrás das pesadas persianas, a análoga visão que eu havia acabado de presenciar da larga avenida – à noite, a cidade. Ao longe, fora a presença de um único guarda numa pequena praça, não existia mais nada além da luminosidade dos postes, dos painéis acesos e das fachadas publicitárias das lojas.</p>



<p>Como num estalar de dedos, o prolongado silêncio foi quebrado dando lugar a uma música que tocava numa estação de rádio internacional no toca-discos do carro, e que, por acaso, embalava-me com a voz de um dos meus cantores favoritos – Louis Armstrong. Sorrindo, retornei ao carro e dirigi de volta para casa, sem a bebida. Contudo, ter visto a longa avenida vazia – lavada pela chuva – não tinha preço, inebriou-me. E, no aconchego da minha cadeira no escritório, em frete ao computador, voltei a escrever o último parágrafo sentindo-me subitamente inspirado.</p>



<p>Fiz as correções finais e fui dormir pensando naquela imagem que, à noite, a cidade me presenteou. Sem dúvida, uma das mais fascinantes visões.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#20587b" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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