Todo lugar sempre tem um chato, inclusive sou um deles. Os amigos já haviam me alertado sobre minha chatice, só me dei conta de uns tempos pra cá. Defendo os chatos porque há chatos com suas razões de o ser.


Todo lugar sempre tem um chato, inclusive sou um deles. Os amigos já haviam me alertado sobre minha chatice, só me dei conta de uns tempos pra cá. Defendo os chatos porque há chatos com suas razões de o ser.

Há anos que espero um Natal diferente. Deus é testemunha que
não tenho complexo de saudades, é que não vejo mais o espírito
natalino com os mesmo olhos, muita coisa mudou.

Era véspera de Natal, a família e os amigos me aguardavam para a Ceia, acontece que o mar não estava para peixes, ou melhor, o céu não estava para aviões. O tempo fechara, o aeroporto também.

Aconteceu na Argentina. Era uma tarde de sábado, eu estava conversando com um amigo num café quando duas senhoritas sentadas à mesa ao lado falavam sobre a caixa. Como qualquer bom ouvinte de história, eu parei a minha conversa para ouvir exatamente do que se tratava. O assunto continuou: — Berenice, eu não consigo me lembrar com quem a mamãe deixou a caixa.

Volto ao tempo em que a meninada não tinha acesso aos meios cibernéticos, então facilmente se podia ver uma criança brincar na rua à luz do dia e à noite; reunir-se para contar estórias; fazer fogueira; inventar lendas de criaturas do além. Inventar, criar, imaginar é um ato tão indispensável e importante do intento humano, que nunca deveria ser abandonado quando a gente se tornasse adulto.

Do alto da copa da amendoeira, entre os seus robustos galhos, eu ficava a observar ao redor tudo que se passara, por vezes me sentia-me um marinheiro, comparava o balançar da árvore como as revoltas ondas do mar, contudo, de algum modo, a árvore era uma espécie de farol para mim, de cima conseguia notar quando se aproximava alguma tempestade.

Durante muito tempo, escrevi para os jornais do Sul do País. Quando comecei, quase ninguém da minha cidade sabia, e se sabia não dava a mínima importância. Não sou do Sul, mas quando estive lá pela primeira vez tive a sorte de ser reconhecido e muito bem recepcionado, com direito a flores de boas-vindas, e até um motorista à minha disposição havia no hotel que me hospedei.

Tudo, claro, é uma questão de dormir bem. Não foi o caso na noite passada, tive uma crise de insônia facciosa. Planejo-me para dormir. Deito. Rolo de um lado para o outro na cama, a inquietação só aumenta. Controlo o clima do quarto: “Tá frio demais, tá muito calor”.

O que é crônica? Os mestres Manoel Bandeira, Rubem Braga, o psicanalista Contardo Calligaris e Drummond também tiveram dificuldades em definir. É certo que a crônica é um gênero com a complexidade das coisas ilusoriamente simples.