Kerley Carvalhedo

A caixa

A caixa

Aconteceu na Argentina. Era uma tarde de sábado, eu estava conversando com um amigo num café quando duas senhoritas sentadas à mesa ao lado falavam sobre a caixa. Como qualquer bom ouvinte de história, eu parei a minha conversa para ouvir exatamente do que se tratava. O assunto continuou: — Berenice, eu não consigo me lembrar com quem a mamãe deixou a caixa.

Uma volta ao passado

Uma volta ao passado

Volto ao tempo em que a meninada não tinha acesso aos meios cibernéticos, então facilmente se podia ver uma criança brincar na rua à luz do dia e à noite; reunir-se para contar estórias; fazer fogueira; inventar lendas de criaturas do além. Inventar, criar, imaginar é um ato tão indispensável e importante do intento humano, que nunca deveria ser abandonado quando a gente se tornasse adulto.

Após a Tempestade

Após a Tempestade

Do alto da copa da amendoeira, entre os seus robustos galhos, eu ficava a observar ao redor tudo que se passara, por vezes me sentia-me um marinheiro, comparava o balançar da árvore como as revoltas ondas do mar, contudo, de algum modo, a árvore era uma espécie de farol para mim, de cima conseguia notar quando se aproximava alguma tempestade.

Eu, o troféu e a solidão

Eu, o troféu e a solidão

Durante muito tempo, escrevi para os jornais do Sul do País. Quando comecei, quase ninguém da minha cidade sabia, e se sabia não dava a mínima importância. Não sou do Sul, mas quando estive lá pela primeira vez tive a sorte de ser reconhecido e muito bem recepcionado, com direito a flores de boas-vindas, e até um motorista à minha disposição havia no hotel que me hospedei.

Noite em claro

Noite em claro

Tudo, claro, é uma questão de dormir bem. Não foi o caso na noite passada, tive uma crise de insônia facciosa. Planejo-me para dormir. Deito. Rolo de um lado para o outro na cama, a inquietação só aumenta. Controlo o clima do quarto: “Tá frio demais, tá muito calor”.