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	<title>Arquivo de 2022 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2022 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>Decadência dos bons costumes</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2023/01/23/decadencia-dos-bons-costumes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Jan 2023 17:16:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Todo lugar sempre tem um chato, inclusive sou um deles. Os amigos já haviam me alertado sobre minha chatice, só me dei conta de uns tempos pra cá. Defendo os chatos porque há chatos com suas razões de o ser.</p>
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<p>Todo lugar sempre tem um chato, inclusive sou um deles. Os amigos já haviam me alertado sobre minha chatice, só me dei conta de uns tempos pra cá. Defendo os chatos porque há chatos com suas razões de o ser.</p>



<p>Outro dia, depois do jantar, fui para o computador ler e-mails, como de costume. Às vezes leio algum artigo interessante sobre política ou ciência.</p>



<p>Entre os e-mails, havia um de uma moça me pedindo, quase implorando, uma entrevista comigo. Ela exigia que fosse no local onde escrevo, em minha casa. Alegou que a reportagem era para um programa cultural na TV, e seria transmitido para algumas cidades do estado. Topei. Marcamos, e poucos dias depois como combinado ela chegava à minha casa, acompanhada por dois rapazes que formavam sua equipe.</p>



<p>A entrevistadora me parecia jovem demais para o trabalho, mas apostei as fichas no seu talento. Fiquei olhando atentamente para aquela moça que acabara de conhecer e já entrara de casa adentro, revistando tudo, quase como se fosse uma detetive. Os dois rapazes ali, pareciam reprovar o comportamento da minha entrevistadora, que desastrosamente deixou cair um bibelô de porcelana que herdei da minha vó. Ao ver o objeto aos pedaços no chão, já não podia disfarçar meu descontentamento com aqueles seres que haviam invadido minha sala, minha privacidade. Não foi pelo bibelô quebrado, foi pela falta de bom-senso. Abrir a porta da sua casa é abrir sua intimidade.</p>



<p>Minha companheira, ao saber que iríamos receber visitas, foi logo disponibilizando cinzeiros por quase toda a casa, sem saber se a moça era tabagista. Ainda nem tinha começado a gravação ela já havia fumado uns três cigarros, jogando as bitucas no chão. Uma tremenda falta de respeito, uma porcaria para com o dono da casa. Não tive outro jeito, ela jogou. Minha esposa vendo aquilo, não sabia esconder seu incomodo com a “dama” que me entrevistava. E multiplicou os meus esforços para continuar nossa conversa. Pedi para que não filmassem algumas peças “raras”, incluindo alguns quadros de parede, arrematados numa liquidação de peças “cafonas” que comprei na Europa. Surpreendentemente, a moça da entrevista fazia tudo ao contrário – mandava que o câmera filmasse os detalhes da minha sala e do meu escritório.</p>



<p>Olhei para minha mulher e a vi fazendo gestos para eu encerrar a entrevista. Temi que ela mesma viesse, pessoalmente, interromper a gravação e chamasse a entrevistadora de “porca”. Fatalmente seu aborrecimento também chegaria a mim. (Quem não se viu diante de uma situação assim?) Acenei para a dama e disse-lhe que encerrássemos o papo, pedi licença e fui para o lavabo. Lá fiquei por um tempo, voltei e disse que gostaria que aquela entrevista não fosse reproduzida. No final, não autorizei o uso das imagens, pedi desculpas os despedi.</p>



<p>Dia seguinte, abri o meu e-mail; lá estava a mensagem da moça: “Você é um tremendo chato!”. Apenas concordei interna e silenciosamente, desliguei o computador e fui dormir.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#315870" class="has-inline-color"><em>Imagem/Pexels</em></mark></p>
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		<title>Natal dos invisíveis</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/12/22/natal-dos-invisiveis/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Dec 2022 02:49:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há anos que espero um Natal diferente. Deus é testemunha que<br />
não tenho complexo de saudades, é que não vejo mais o espírito<br />
natalino com os mesmo olhos, muita coisa mudou.</p>
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<p>Há anos que espero um Natal diferente. Deus é testemunha de que não tenho complexo de saudades; é que não vejo mais o espírito natalino com os mesmos olhos, muita coisa mudou. Nem vontade tenho de decorar a casa para a chegada desta data. O único enfeite é um boneco de neve feito de feltro, que já faz parte da decoração há pelo menos meia década, e um pisca-pisca com algumas lâmpadas queimadas.</p>



<p>Andando pelas ruas, vejo as vitrines, as ruas e avenidas enfeitadas e, ainda assim, é um Natal triste, e posso legitimar meu desgosto e desafeto por este profano produto que virou comércio. Já tive Natais em profunda solidão, longe de casa; contudo, não foram Natais tristes como os de hoje.</p>



<p>Passei um Natal preso num aeroporto por causa do mau tempo, assim como passei no sótão de casa, quieto — como deveria ser — meditando em profundo silêncio, de acordo com a tradição. Jesus nasceu num grande silêncio, quebrado pelos anjos que, em coro, cantavam a Deus — anunciando a chegada da Paz entre os homens de bom querer.</p>



<p>No fundo, a época mais esperada do ano agora tem mais clima de pesar ao invés de júbilo, isso porque reunir a família em torno da mesa não é mais privilégio de todos — aliás — nunca foi; porém, na atualidade, é um mérito de poucos, pois o que restou foram as cadeiras vazias em volta das mesas e um silêncio instalado no recinto.</p>



<p>Na noite de Natal nem todos terão mesa farta, embora uma pequena parcela se sirva de banquetes reais, outros de “carne folheada a ouro”. Na contramão, muitos terão que contar com a sorte e a generosidade das sobras da ceia dos nobres.</p>



<p>Depois da comilança, os afortunados dormirão empanturrados de rabanadas, nozes, tortas, castanhas, passas, carnes, queijos e muito vinho. Por outro lado, os invisíveis não terão nem mesa, nem alimentos, muito menos dignidade. Irão dormir enquanto o estampido dos fogos artificiais ilumina o céu escuro, sem misericórdia.</p>



<p>Talvez o Natal que eu tanto espero nunca exista, mas tenho a crença de que nunca morrerá a esperança de termos um país melhor, que ainda não tivemos.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#235c7d" class="has-inline-color">Imagem/reprodução</mark></em></p>
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		<title>Memórias de um natal</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/12/15/memorias-de-um-natal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Dec 2022 23:01:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era véspera de Natal, a família e os amigos me aguardavam para a Ceia, acontece que o mar não estava para peixes, ou melhor, o céu não estava para aviões. O tempo fechara, o aeroporto também. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era véspera de Natal, a família e os amigos me aguardavam para a Ceia, acontece que o mar não estava para peixes, ou melhor, o céu não estava para aviões. O tempo fechara, o aeroporto também. Na sala de embarque, atento à chamada do meu voo, repentinamente vi no painel o cancelamento de todos os voos daquela tarde, uma intensa tempestade se aproximara, impossibilitando o tráfego aéreo. O tempo só piorava, os fortes ventos arrastavam os sinalizadores na pista de decolagem, a cobertura do estacionamento parecia que ia ser arrancada fora a qualquer momento, o jeito foi aguardar que melhorasse a condição atmosférica e as companhias nos acomodar em algum lugar cômodo para passar a noite.</p>



<p>Com o mal tempo, a espera poderia durar até o dia seguinte. O barulho da chuva se confundia com as vozes que falavam ao mesmo tempo no saguão. No imenso salão lotado de passageiros, num canto havia um pequeno grupo de pessoas, entre elas uma senhora que não parava de falar – relembrara suas aventuras quando era jovem. Aproximei-me, meio distraído, submeti-me a ouvir o que aquela senhora tinha a dizer.</p>



<p>Eu prestava atenção na história que a senhora estava a nos contar, porém, eu também me atentava na esperança de encontrar algum conhecido por lá. Confesso que fiquei triste, me senti deslocado, não aparecia ninguém, e não estava nos meus planos comemorar uma data tão expressiva em um lugar inadequado para festejos. Contestar com a natureza não minimizaria o caos instalado.</p>



<p>As horas se passara, contudo, para meu desespero, o temporal mantinha-se intenso. Chegada à meia noite, eu e o pequeno grupo de recém-conhecidos comemoramos o natal, fizemos uma pequena ceia, quase simbólica, ali, no meio do aeroporto mesmo. Por um momento cheguei a pensar que teria até um “amigo secreto”. Nada mais eu poderia desejar depois da confraternização com pessoas totalmente desconhecidas, eu só ansiava partir rumo ao meu destino.</p>



<p>A senhora voltava a narrar suas saudosas paixões, seu grande amor, que um dia partira para a guerra do Vietnã.</p>



<p>Ela americana, ele europeu – ambos fugiram e se casara aos 20 anos, na basílica de Maria Madalena, localizada na França, onde ele morava. Um dia, ela e o marido fizeram uma viagem a Portugal, o primeiro filho do casal ficara com a mãe dele, que era uma boa avó, mas era destrambelhada – primeiro desastre acontecera quando seguiu a carreira de modelo nos anos 30 e 40, não demorou muito para mudar radicalmente de ideia – dois ou três anos depois da tentativa frustrada de ser modelo ela convertera-se ao cristianismo, onde passou a viver enclausurada num convento do século XI, na Itália. A sua vida religiosa também não demoraria para cair em decadência. Ela já estava na vida religiosa há quase sete anos quando a Madre Superiora Abadessa, decidiu expulsá-la do lugar sacro, descobri que ela e outras cinco Freiras ficam grávidas no Mosteiro que abrigava refugiados – mesmo sem explicação ela deu-se o trabalho de tentar convencer as irmãs que tal gravidez era milagre divino, porém, o convencimento não deu foi enfático. Outra vez ela largou tudo e dessa vez se dedicou exclusivamente aos oito filhos que teve dos seus vários envolvimentos amorosos.</p>



<p>A senhora contava que quando ela e o marido voltaram de Portugal, receberam a notícia que em poucos dias ele deveria partir, pois fora convocado para a guerra. &nbsp;Assim aconteceu; ele partira na próxima semana, a guerra acabou, ele sobreviveu, e um ano depois ela ficou sabendo que o seu amado tinha…</p>



<p>Antes que ela terminasse o final da história, o aeroporto abrira anunciando a partida dos próximos voos, o meu partiria em poucos minutos também, sai correndo sem saber, afinal, o que acontecera com o seu amado.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#366988" class="has-inline-color"><em>Imagem/Pexels</em></mark></p>
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		<title>A caixa</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/12/14/a-caixa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2022 23:50:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aconteceu na Argentina. Era uma tarde de sábado, eu estava conversando com um amigo num café quando duas senhoritas sentadas à mesa ao lado falavam sobre a caixa. Como qualquer bom ouvinte de história, eu parei a minha conversa para ouvir exatamente do que se tratava. O assunto continuou: — Berenice, eu não consigo me lembrar com quem a mamãe deixou a caixa.</p>
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<p>Aconteceu na Argentina. Era uma tarde de sábado, eu estava conversando com um amigo num café quando duas senhoritas sentadas à mesa ao lado falavam sobre a caixa. Como qualquer bom ouvinte de história, eu parei a minha conversa para ouvir exatamente do que se tratava. O assunto continuou: — Berenice, eu não consigo me lembrar com quem a mamãe deixou a caixa.</p>



<p>— Mas, Cesária, é impossível saber o paradeiro, já que a última vez que ouvi falar dessa caixa era que estava com a tia Firmina e, depois que ela faleceu, como a gente vai saber? A mamãe poderia nos ajudar, se não fosse o Alzheimer, coitada; ela mal lembra o próprio nome.</p>



<p>A senhora mais velha buscou o óculos na bolsa, checou a agenda do celular e ligou:</p>



<p>— Alô? Tia Ofélia, tudo bem? É a Berenice&#8230; Estou ligando pra senhora, pois eu queria saber sobre aquela história da caixa que você, mamãe e tia Firmina&#8230;</p>



<p>— Vai pra puta que pariu! Não me ligue mais! PIIIIIIIHHHH</p>



<p>De repente, a senhora enrubesceu o rosto e pôs o celular na bolsa, voltando a comentar sobre a malevolente caixa. Dessa vez, quem queria saber o que tinha lá era eu. A outra senhora demostrava preocupação, parecia buscar em sua memória algum vestígio de onde pudesse encontrá-la. Eu tinha certeza absoluta que o papel que estava sobre a mesa era o testamento, quase que pedi pra ler.</p>



<p>Mudei de lugar na intenção de ficar mais perto para ouvir melhor aquelas duas senhoras que atentamente levantavam as informações, prestes a revelar o segredo. Não sei se eu queria contribuir com a minha singela ajuda ou só apenas saber o que havia dentro da caixa. Johnny, o meu amigo, resolveu que voltaríamos a Porto Alegre ainda naquele dia. Só não antes que eu pudesse desvendar o mistério. “Tá, eu volto, mas, primeiro, quero saber o que tinha dentro da droga daquela caixa.”</p>



<p>Levantei e fui em direção à mesa das duas senhoras para perguntar-lhes se precisavam de um detetive. Na verdade, eu queria ter ido até o fim, mas travei no meio do caminho. Voltei desconsertadamente, minha vontade era pegar na mão delas e dizer: “Vamos agora saber o que tinha dentro da porcaria daquela caixa”. Perceberam que falavam alto demais, rapidamente pediram a conta e foram embora.</p>



<p>Queridas senhoritas argentinas, desculpa quase revelar o segredo de vocês assim, no meio do jornal, contudo, se já tiverem encontrado a misteriosa caixa, me mandem um e-mail me avisando, por favor. Obrigado.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#527c98" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Uma volta ao passado</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/12/06/uma-volta-ao-passado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 23:36:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Volto ao tempo em que a meninada não tinha acesso aos meios cibernéticos, então facilmente se podia ver uma criança brincar na rua à luz do dia e à noite; reunir-se para contar estórias; fazer fogueira; inventar lendas de criaturas do além. Inventar, criar, imaginar é um ato tão indispensável e importante do intento humano, que nunca deveria ser abandonado quando a gente se tornasse adulto.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>Volto ao tempo em que a meninada não tinha acesso aos meios cibernéticos, então facilmente se podia ver uma criança brincar na rua à luz do dia e à noite; reunir-se para contar estórias; fazer fogueira; inventar lendas de criaturas do além. Inventar, criar, imaginar é um ato tão indispensável e importante do intento humano, que nunca deveria ser abandonado quando a gente se tornasse adulto.</p>



<p>A adolescência foi chegando, meus pensamentos foram mudando, claro. Não sei se é o caso de todo adolescente; no entanto, minha tendência de querer ficar mais reservado, quase isolado e tímido, ficou mais intrínseca com o tempo. Muita coisa mudou; todavia, continuo introspectivo e restrito a poucos amigos; sempre fui de poucas pessoas.</p>



<p>Nesse período, parte dos meus amigos de infância se mudaram para outras cidades, outros bairros. Alguns se tornaram iguais a mim. Entretanto, permaneci inquilino daquele bairro, daquela rua. Comecei a ler muito. Meus amigos, então, eram “Monteiro Lobato, Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen, Júlio Verne, Ernest Hemingway” entre outros autores; esses faziam parte da minha nova vida de leitor aventureiro.</p>



<p>Em frente à casa em que eu morava havia uma árvore de tamanho médio onde eu ficava a maior parte do dia, mantinha-me lá até desaparecer o último raio de sol, dando espaço ao escurecer do céu.</p>



<p>Lembro de alguns dias em especial. Saía do colégio numa alegria habitual, só para poder subir na árvore e me imaginar um aventureiro, o que de fato fui. Imaginava-me um marinheiro junto ao furioso mar. Forçava o balanço dos suntuosos galhos, sacudia a árvore inteira como se fossem ondas gigantes, deixando o chão acarpetado de folhas.</p>



<p>Inesperadamente meus pais mudaram de cidade a trabalho. Na nova cidade demorei a me acostumar, mas logo me senti em casa novamente. Cresci. Fiz novos amigos, viajei inúmeras vezes. Conheci o mundo de modo complexo, jamais em sua totalidade. Conhecê-lo assim seria impossível. Aventurei-me na travessia do Atlântico; embora nunca tenha me lançado ao mar de outra forma a não ser de navios. Vivi grandes experiências.</p>



<p>Recentemente viajei até a minha cidade, voltei à casa da minha infância. Não reconheci quase nada, além da casa de um casal de velhinhos, ambos já falecidos; a casa ainda continuava em pé, com suas janelas corroídas pelo tempo, as paredes desbotadas do sol e dos invernos intensos. Todos os amigos daquela época haviam ido embora. Restavam apenas um ou dois, os mais velhos. O bairro pareceu-me mais quieto, não se vê mais crianças brincando na rua. Senti nostalgia.</p>



<p>&nbsp;Tudo é temporário, eu sei. Tão pouco sei sobre a vida e o amanhã. Só de uma coisa eu sei: a vida não seria a mesma sem nossas memórias, sem aqueles que um dia fizeram parte do nosso breve cotidiano.</p>



<p>Tudo mudou: as casas, as pessoas, o bairro. A casa que morei quando criança não tem a mesma aparência; os muros são altos como fortalezas, monitorados como um presídio; e a minha querida árvore deu lugar a uma enorme calçada, que serve de passarela aos que por ali transitam.</p>
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		<title>Após a Tempestade</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/12/06/apos-a-tempestade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2022 16:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Do alto da copa da amendoeira, entre os seus robustos galhos, eu ficava a observar ao redor tudo que se passara, por vezes me sentia-me um marinheiro, comparava o balançar da árvore como as revoltas ondas do mar, contudo, de algum modo, a árvore era uma espécie de farol para mim, de cima conseguia notar quando se aproximava alguma tempestade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Do alto da copa da amendoeira, entre os seus robustos galhos, eu ficava a observar ao redor tudo que se passara, por vezes me sentia-me um marinheiro, comparava o balançar da árvore como as revoltas ondas do mar, contudo, de algum modo, a árvore era uma espécie de farol para mim, de cima conseguia notar quando se aproximava alguma tempestade.</p>



<p>Um dia, quando ainda menino, no finalzinho da tarde, notei quando um temporal se formava no longínquo horizonte, as nuvens densas e escuras anunciavam a chegada de uma violenta tempestade. O tempo, cada vez mais se fechara, os ventos sopravam incessantemente, pareciam o alvoroço de muitas vozes, por vezes uivavam como um lobo nas montanhas.</p>



<p>Uma catástrofe violentamente anunciada. Nada se podia fazer àquela altura, restava-nos apenas fechar as portas e janelas e nos proteger dentro da casa. A forte ventania destelhara quase toda a casa, arrastara objetos pelo quintal derrubando o que tinha pela frente, até minha majestosa amendoeira se foi também naquele anoitecer tempestuoso.</p>



<p>Apesar de impetuosa e imparável, misteriosamente a tempestade passou, fora embora como chuva de verão. A calmaria reinava. Pude ver a lua e as estrelas através do telhado. A frase “Quem perde o telhado ganha as estrelas” nunca fez tanto sentido como fez naquela noite.</p>



<p>A vizinhança fora tomada por um grande silêncio, parecia um daqueles mosteiros&nbsp;<em>eremíticos.</em>&nbsp;Sem eletricidade, era possível escutar o tilintar dos objetos das outras residências, como uma lâmina finíssima, se podia ouvir os pavios das velas queimando noite adentro na nossa casa. &nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na manhã seguinte, os vizinhos reuniram-se em frente aos destroços para lamentar suas perdas e discorrer sobre o tormento causado na noite anterior. Nenhuma casa saíra incólume após a tempestade.</p>



<p>Depois disso, nunca mais vi uma tempestade com os mesmos olhos; tenho medo dos estragos que elas são capazes de deixar. O mal tempo é inevitável, e a qualquer momento pode surgir uma nova tempestade, embora, maior e intensa que seja, nenhuma dura por muito tempo. Hoje, minha única preocupação: onde devo me abrigar. O que importa é sobreviver durante e depois do caos. &nbsp;</p>



<p>A tempestade cessou, sobrevivemos, só nos restava assumir os prejuízos causados, calcular as perdas e colocar tudo em ordem.</p>
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		<item>
		<title>Eu, o troféu e a solidão</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/10/13/eu-o-trofeu-e-a-solidao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Oct 2022 23:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante muito tempo, escrevi para os jornais do Sul do País. Quando comecei, quase ninguém da minha cidade sabia, e se sabia não dava a mínima importância. Não sou do Sul, mas quando estive lá pela primeira vez tive a sorte de ser reconhecido e muito bem recepcionado, com direito a flores de boas-vindas, e até um motorista à minha disposição havia no hotel que me hospedei.</p>
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<p>Durante muito tempo, escrevi para os jornais do Sul do País. Quando comecei, quase ninguém da minha cidade sabia, e se sabia não dava a mínima importância. Não sou do Sul, mas quando estive lá pela primeira vez tive a sorte de ser reconhecido e muito bem recepcionado, com direito a flores de boas-vindas, e até um motorista à minha disposição havia no hotel que me hospedei.</p>



<p>Morar em uma região e não ser reconhecido é o suprassumo da contradição. Viver em pleno Norte do Brasil e ser lido semanalmente apenas no Sul é mais que contraditório. Isso mudou quando minhas crônicas começaram a rodar todo o País até chegar onde eu vivia. Daí em diante, não parei mais. Fui convidado de honra em eventos, participei de momentos solenes, escrevi em sites, revistas, jornais e, quando parado na rua, alguém dizia: “Faz uma crônica sobre mim?”</p>



<p>O reconhecimento veio. Rendeu-me até o título de imortal na academia de letras local, não me rendeu dinheiro, mas as admirações estavam garantidas. Na época, eu tinha apenas títulos, reconhecimentos e bolsos vazios. Lembro que um dia fui chamado para receber homenagens do Dia do Escritor pela minha cidade. Por um instante, me senti como se tivesse ganhado o Oscar, fui paparicado, abraçado e reverenciado, até a cerimônia terminar. Na primeira oportunidade, discretamente abandonei o pódio, em poucos minutos eu seguia o caminho de volta para casa, com um ar de contentamento e ao mesmo tempo de melancolia. Prossegui caminhando com um quadro numa mão e um troféu na outra, entre as árvores de uma avenida mal iluminada. Quem me viu andando naquele breu, nem passava pela cabeça que meia hora atrás eu estava no meu momento de coroação.</p>



<p>Esperava chegar em casa e ter uma megafesta, ser recebido com faixas de cores vibrantes com meu nome, esperava que me jogassem espumante e depois confetes prateados. Esperava comemorar até o dia nascer.</p>



<p>Nada disso aconteceu. Não havia ninguém, nem sequer minha gatinha siamesa apareceu para pedir um pouco de carinho. Entrei em casa quieto para não acordar quem já estava dormindo, fui até o meu escritório, guardei os prêmios e terminei a noite silenciosa na companhia solitária de um troféu, uma garrafa de vinho esquecida num canto, um charuto que só servia de enfeite e o escritório abarrotado de livros mudos. Terminei minha noite ao lado de um troféu estático, tendo a solidão como brinde. Ilusória essa coisa chamada fama.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#487998" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>Noite em claro</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/06/09/noite-em-claro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jun 2022 23:17:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo, claro, é uma questão de dormir bem. Não foi o caso na noite passada, tive uma crise de insônia facciosa. Planejo-me para dormir. Deito. Rolo de um lado para o outro na cama, a inquietação só aumenta. Controlo o clima do quarto: “Tá frio demais, tá muito calor”. </p>
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<p>Tudo, claro, é uma questão de dormir bem. Não foi o caso na noite passada, tive uma crise de insônia facciosa. Planejo-me para dormir. Deito. Rolo de um lado para o outro na cama, a inquietação só aumenta. Controlo o clima do quarto: “Tá frio demais, tá muito calor”. Olho o celular. Ainda são 2h da manhã. Coloco o pijama, calço a pantufa e desço para tomar água. Vejo o café solúvel e me dá uma súbita vontade de tomar, mas se eu tomar café a essa hora, aí não durmo mesmo. Não resisto e preparo o café. Com a xícara na mão, ando pela casa como se fosse o Frankenstein, vou até o escritório busco a agenda e volto para a sala. Começo a rascunhar algumas metas para o final do ano. Penso: “Amanhã vou aproveitar e passar no banco para ver se consigo fazer um plano de viagens. Não. Amanhã não dá; tenho reunião às 8h30 com o novo chefe da agência de publicidade. Vou primeiro ao correio. Já que não tenho secretária, eu mesmo vou enviar aquela pilha de contratos e livros. Aproveito para passar no supermercado e comprar algumas coisinhas que estão faltando aqui em casa, mas, antes, tenho que ir visitar minha vó, não a vejo há dois dias”.</p>



<p>São 3h15, eu preciso descansar. Amanhã será um dia daqueles, e quando chegar dos meus compromissos ainda precisarei escrever a coluna para o jornal, afinal o prazo já está acabando. Preciso de um pouco mais de café. Não, não preciso. Agora vou dormir. Não, pera! Preciso anotar só mais algumas coisas para não esquecer: tenho dentista na quarta de manhã; terapia na quinta à tarde e reunião com a Olivia na sexta, assim que acordar. Ok.</p>



<p>Calma, peraí! Quase esqueço: Sexta-feira, tenho um encontro com os escritores para um bate-papo. Vou só olhar rapidinho os preços dos voos para Porto Alegre e fazer minha reserva. Ligo o laptop e lá se vão mais 30 minutos. Não vou desligar ainda, vou entrar no meu Facebook e responder os comentários dos meus leitores. Não. Acho melhor responder primeiro os e-mails. Como é mesmo o nome daquela matéria que saiu no El País sobre a legalização do aborto na Argentina? Esquece, não vai dar tempo de ler tudo. Fecho o laptop e sigo de volta para o quarto. Passo pelo corredor e me deparo com os porta-retratos, dos quais nem lembro qual foi a última vez em que olhei para eles. Puxo a gaveta do aparador e vejo um álbum de fotos da minha infância, o qual há anos não via. Sinto uma súbita emoção, devolvo as fotografias novamente no lugar. Antes que o álbum chegue completamente no fundo da gaveta, avisto algumas cartas que recebi quando ainda não existia WhatsApp, outra emoção.</p>



<p>Chega! Agora preciso deitar e descansar. Abro a porta do quarto, deito e, quando puxo cobertor, o despertador dispara trimmm trimmm trimmm. São 6h15, amanheceu, não tem mais jeito. Um novo dia se inicia.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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		<title>O cronista e a crônica</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2022/02/11/o-cronista-e-a-cronica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Feb 2022 23:13:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que é crônica? Os mestres Manoel Bandeira, Rubem Braga, o psicanalista Contardo Calligaris e Drummond também tiveram dificuldades em definir. É certo que a crônica é um gênero com a complexidade das coisas ilusoriamente simples.</p>
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<p>O que é crônica? Os mestres Manoel Bandeira, Rubem Braga, o psicanalista Contardo Calligaris e Drummond também tiveram dificuldades em definir. É certo que a crônica é um gênero com a complexidade das coisas ilusoriamente simples. Sem querer catalogar em gêneros, prefiro dizer que a crônica é a literatura sem ambição. A crônica no jornal é aquela respirada profunda.</p>



<p>Como já dizia Nelson Rodrigues: a crônica é a difícil arte de ser direto, franco, compreensível e coloquial. O cronista não é aquele que sobe na cátedra e prega para a multidão, mas aquele que senta no meio-fio e convida o leitor para uma conversa.</p>



<p>Rubem Braga, por outro lado, extraiu as mais poéticas crônicas do acaso no nosso destino. Paulo Mendes Campos ousou-se. Martha Medeiros soube dar conselhos sensatos sobre relacionamentos afetivos, sobre efemeridade e finitude da vida. Com seu humor inteligente e sofisticado, Luís Fernando Veríssimo soube extrair as histórias mais cômicas.</p>



<p>O cronista tem todos os assuntos à sua frente – até mesmo a falta dele pode tornar-se uma crônica. Tudo pode virar assunto: um vaso na janela, uma borboleta, uma xícara quebrada, o vento que levanta a saia, um par de meias, uma noite em claro. Quanto mais trivial o assunto, mais intrigante é a crônica, claro, com humor e lirismo que não podem faltar.</p>



<p>A crônica deveria ser deixada em paz, não sofrer com análises estilísticas, não ser alvo dos críticos da academia. Como disse o bom poeta Ferreira Gullar: “A crônica é a literatura sem pretensão, que não se bate com a morte: sai do casulo, voa no sol da manhã (a crônica é matutina) e, antes que o dia acabe, suas asas desfeitas rolam nas calçadas”. Esse é o espírito da crônica, que aproxima o leitor, que fala de alegrias e tristezas, que traz reflexões sobre homem comum, que, de tão apressado, está sempre de olho no relógio, esquecendo-se de apreciar as miudezas da vida.</p>



<p>O cronista de verdade não espera a tal da inspiração para escrever – até acho essa palavra “inspiração” meio romântica. Quem escreve em jornais, por exemplo, acha um motivo bem “inspirador” para trabalhar: “cumprir prazos”. Por isso, a crônica é a boa literatura.</p>



<p>No entanto, a melhor definição para inspiração da crônica é a de Luís Fernando Veríssimo: “inspiração é o prazo”. A crônica é uma fotografia da vida atual, mas sempre acompanhando as transformações e comportamentos do ser humano. É fruto da observação, da vontade de traduzir sentimentos incompreensíveis, de contribuir para um entendimento sobre nosso papel no mundo. Ao observar o cotidiano, encontra-se a fonte de matéria-prima da crônica.</p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size"><em><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#477897" class="has-inline-color">Imagem/Pexels</mark></em></p>
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