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	<title>Arquivo de 2026 - Kerley Carvalhedo</title>
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	<description>Site oficial do escritor Kerley Carvalhedo</description>
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	<title>Arquivo de 2026 - Kerley Carvalhedo</title>
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		<title>Falso apoio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 21:04:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ontem estive na casa de um amigo e fui recebido por um susto doméstico, desses que não fazem barulho. </p>
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<p></p>



<p>Ontem estive na casa de um amigo e fui recebido por um susto doméstico, desses que não fazem barulho. Logo na entrada da sala, à esquerda, havia uma poltrona vermelha. Não era qualquer poltrona: era a mesma que me acompanhou por quase vinte anos, ou pelo menos sua duplicata perfeita. A cor, o desgaste nos braços, o jeito ligeiramente inclinado para a direita — tudo conspirava contra a ideia de coincidência. Fiquei parado alguns segundos, como quem reencontra um morto que insiste em respirar.</p>



<p>A minha, convém dizer, tinha apenas três pés. O quarto se perdera em alguma mudança ou bebedeira antiga, e o equilíbrio era mantido por uma engenhoca improvisada: livros grossos, respeitáveis, que sustentavam tanto a estrutura quanto certos períodos da minha vida. Um dicionário catalão-espanhol, um ensaio geopolítico de Kaplan e um Sowell que eu fingia reler. Naquela poltrona li demais, bebi o suficiente e amei quando ainda não tinha a pretensão de escrever sobre isso.</p>



<p>Ela fazia parte de um pequeno ecossistema afetivo: o sofá amarelo manchado de vinho, o colchão vencido num dos lados, e aquela poltrona manca que era sempre a primeira a ser disputada. Ali vivi romances breves e intensos, que terminavam antes de virar literatura. Era um tempo em que a vida vinha antes da frase, e não o contrário. A poltrona, hoje vejo, sustentava mais do que meu peso.</p>



<p>Ao vê-la na casa do amigo, pensei imediatamente em resgate. Se ele dissesse que a tinha adquirido há poucos anos, eu faria uma oferta indecorosa. Mas a dona da casa, percebendo meu olhar fixo demais, informou com naturalidade que a poltrona os acompanhava há duas décadas. Não era a minha. Era apenas uma irmã gêmea, saída da mesma fábrica, talvez do mesmo turno. Soube ali, com atraso, que seu nome de batismo era Liverpool. Para mim, sempre foi a Três Pés.</p>



<p>Voltei para casa e procurei os livros que um dia a escoraram. Estavam numa estante alta, intactos, como se nunca tivessem servido a outro propósito. Folheei um deles sem atenção. Nenhum deles sustentava mais nada.</p>
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		<title>Futilidade</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2026/02/01/futilidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2026 18:07:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sou avesso a gastos, desses que só acontecem quando a necessidade empurra. Comprar, para mim, é quase sempre virtual, impessoal, sem cheiro nem conversa. </p>
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<p>Sou avesso a gastos, desses que só acontecem quando a necessidade empurra. Comprar, para mim, é quase sempre virtual, impessoal, sem cheiro nem conversa. Ainda assim, naquele domingo inútil, saí de casa sem destino e fui parar numa dessas feiras ao ar livre, onde se vende de tudo: bugigangas, restos de memória, coisas que já não têm nome. Deus é testemunha de que eu não queria comprar nada. Tampouco vender. Só passar.</p>
<!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->
<p>Caminhei devagar entre as barracas, observando o vai-e-vem de negociantes confiantes na própria lábia. Não funcionou comigo. Havia ali objetos que atravessaram gerações sem saber por quê: santos, estatuetas, bibelôs, palavra antiga, quase esquecida, como os dedos que um dia os colocaram em prateleiras limpas demais. Coisas pequenas, sobreviventes do tempo.</p>
<!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->
<p>Olhei no relógio. Era hora de ir embora. Acelerei o passo em direção ao carro e, ainda dentro da feira, tentei desviar de uma senhora à minha frente. Não consegui. Por azar, ou distração, esbarrei numa barraca de santos e quinquilharias. As imagens balançaram como num terremoto doméstico. Um anjo caiu aos meus pés. Pequeno. Antigo. Com a asa quebrada.</p>
<!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->
<p>Fiquei olhando aquele anjo no chão, indefeso, como se tivesse sido derrubado pela própria fé. Paguei o valor pedido sem discutir. Minha futilidade do dia. Levei-o para casa e o coloquei na estante, junto das outras miniaturas que não cumprem função alguma além de existir. A asa partida parecia menos um defeito e mais uma interrupção.</p>
<!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->
<p>Agora, toda vez que vou sair, olho para o anjo. Ele olha de volta. Não me acusa. Não consola. Apenas lembra que algumas quedas acontecem sem aviso, e ficam.</p>
<!-- /wp:paragraph -->						</div>
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		<title>A Biblioteca que o Tempo Esqueceu</title>
		<link>https://kerleycarvalhedo.com/2025/10/26/a-biblioteca-que-o-tempo-esqueceu-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kerley Carvalhedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Oct 2025 19:36:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[2026]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cedo fui seduzido pelos livros. Era o tempo em que a internet existia para poucos. O saber ainda tinha cheiro de papel. Lembro do grande salão. Um abrigo que não encontrei em mais lugar nenhum. </p>
<p>O conteúdo <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com/2025/10/26/a-biblioteca-que-o-tempo-esqueceu-2/">A Biblioteca que o Tempo Esqueceu</a> aparece primeiro em <a rel="nofollow" href="https://kerleycarvalhedo.com">Kerley Carvalhedo</a>.</p>
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<h1 class="wp-block-heading"></h1>



<h3 class="wp-block-heading" id="block-38382abc-c6e5-4926-bca5-e94132542d13"></h3>



<p id="block-f917e8f9-86df-4c7f-ba6d-253c3553b8bb">Cedo fui seduzido pelos livros. Era o tempo em que a internet existia para poucos. O saber ainda tinha cheiro de papel. Lembro do grande salão. Um abrigo que não encontrei em mais lugar nenhum. A luz entrava pelas portas abertas, de um lado a outro, cortando o espaço. As estantes ficavam nas laterais. O piso rústico de concreto. Bancos e cadeiras acompanhavam o estilo. No teto, ventiladores rodavam lentos, dissipando o calor, com ruídos que ainda moram na cabeça.</p>



<p id="block-e6f7aea5-3494-4aea-8abb-d88757e565f3">A biblioteca ficava entre as escolas José Lourenço e Gonçalo Vieira, nos fundos desta última, com saída para a Avenida Quinze de Novembro. As portas de madeira se abriam pesadas, como se o tempo tivesse peso. Lá dentro, mesas centrais recebiam gente e sossego. Globos, esqueletos, frascos com bichos. Tudo imóvel, como se esperasse o próximo leitor.</p>



<p id="block-7fb933de-5564-4bea-b94c-f775078861c3">As bibliotecárias sabiam o ofício. Bastava dizer o tema, e o livro surgia. Guardo na memória os livros encapados, os mapas armazenados em tubos, o caderno de assinatura dos usuários. Também tenho na lembrança o bebedouro com água geladíssima e as plantas espada-de-São-Jorge enraizadas em latas de tinta. A madeira de acapu, cor de conhaque, sustentava o teto. Era um mundo que parecia durar.</p>



<p id="block-902745ec-570b-40ca-9caf-385c8fb10b80">Não é novidade que eu não era bom em matemática, nem em educação física. Eu fugia delas. Entre estantes, encontrava meu auspicioso destino: as palavras. Heloísa Helena, nossa professora de Ciências, autora das aulas magistrais daquela época, era dinâmica, mas de maestria irrefutável. Completava o cenário, recomendando-nos ir em busca dos assuntos. Morando em outro estado, relembro essas memórias e compartilho-as com ela por ligação.</p>



<p id="block-7e58e678-06f0-4d80-bdcc-1c6e56d767a6">Acordei pensando naquela biblioteca que não existe mais. O prédio se perdeu. Restam memória e sonhos. Hoje, aqui na minha sala, vejo minhas estantes cheias de livros. Sem sair do lugar, de certa forma volto à antiga biblioteca.</p>



<p id="block-49f215bd-d31d-4e26-b5f8-11d210e38a79">O lugar sumiu; eu ainda caminho entre as estantes.</p>



<p></p>
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